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15/07/2021

Amizade social

A união de forças para fazer um mundo melhor

Amizade social - Notícias - Arquidiocese de Goiânia

O papa dedicou a oração do mês de julho à amizade social. Mas, afinal, o que é isso? Na Carta Encíclica Fratelli Tutti (99), é dito o seguinte: “O amor que se estende para além das fronteiras está na base daquilo que chamamos ‘amizade social’ em cada cidade ou em cada país. Se for genuína, esta amizade social dentro de uma sociedade é condição para possibilitar uma verdadeira abertura universal”. Isto é, a amizade social é a união para que o bem seja implantado.

 

No vídeo de divulgação da oração deste mês, Francisco afirma: “A Bíblia diz que quem encontra um amigo, encontra um tesouro”. Teresinha Lima Silva procurou ser essa amiga e, há 15 anos, ela é voluntária na Pastoral da Criança da Arquidiocese de Goiânia. “Quando busquei a missão de servir na Pastoral da Criança eu não tinha estrutura nem para mim. Eu estava em busca da casa própria. Quando eu visitava as famílias debaixo de uma barraca de lona, eu me perguntava: o que eu tenho para oferecer para essas crianças? Mas, para minha surpresa, aquelas crianças só me pediam atenção. A partir daí minha vida mudou completamente.”

 

A Pastoral da Criança está presente na Arquidiocese desde 1988. Hoje, ela assiste 350 famílias e conta com a ajuda de cerca de 74 voluntários. O trabalho consiste no “desenvolvimento integral das crianças, promovendo, em função delas, também suas famílias e comunidades, sem distinção de raça, cor, profissão, nacionalidade, sexo, credo religioso ou político”. De acordo com Teresinha, o trabalho voluntário faz a diferença tanto na vida de quem ajuda como de quem é ajudado. “Sem o trabalho voluntário, o trabalho da pastoral perde o sentido. Nós somos uma grande rede do bem que trabalha para melhoria da qualidade de vida das famílias carentes.”

 

Pensando no trabalho voluntário, no ano de 2014, o então diácono Maximiliano Gonçalves da Costa criou o grupo Semeadores da Alegria. A ideia do projeto, segundo a coordenadora geral, Marilene Rossi de Mendonça Bueno, surgiu com inspiração no Pontífice. “Na Jornada Mundial da Juventude no Brasil, ao ouvir as palavras do papa Francisco de que ‘confiava de modo particular aos jovens a tarefa de colocar a solidariedade no centro da cultura humana’. O projeto foi criado com o “objetivo de levar o jovem a fazer um encontro pessoal com Jesus através dos irmãos mais necessitados, desejando que os jovens toquem a carne sofredora de Cristo. Dessa forma, colaborando na construção da civilização do amor, sendo missionários da esperança e, assim, levando o amor de Deus aos irmãos mais necessitados e que precisam de uma palavra de fé e esperança”, explica.

 

O projeto Semeadores da Alegria, que conta hoje 163 membros, está de acordo com o que sugere o papa, no vídeo de divulgação sobre o mês de oração da Amizade Social. “Gostaria de propor a todos que fossem além dos grupos de amigos e construíssem a amizade social, que é tão necessária para a boa convivência.” O grupo é formado por pessoas oriundas das diversas paróquias da Arquidiocese. Porém, recebe voluntários sem fazer qualquer tipo de discriminação. A iniciativa acolhe os pacientes do Hospital das Clínicas da UFG, Hospital Geral de Goiânia, Santa Casa de Misericórdia, Instituto de Nefrologia, Hospital de Urgência de Aparecida de Goiânia e Abrigo dos Idosos São Vicente de Paulo.

 

Segundo a coordenadora, o importante é que as pessoas que queiram participar da iniciativa estejam de acordo com a missão proposta: “contribuir para o bem-estar dos pacientes e idosos, acompanhantes e profissionais, promovendo a humanização do ambiente hospitalar e do abrigo, levando o amor de Deus a todos que precisarem de uma palavra de fé e esperança”. Ela ainda informa que o projeto tem transformado a vida dos participantes. “Cada atuação é um abastecimento para a alma, é um encontro com amigos, um encontro com pacientes e idosos, é um encontro com o próprio Deus. Somos um exército pronto a servir o Senhor, a levar amor, semear alegria, modificar ambientes, transformar corações, transbordar esperança, desejosos de fazer a diferença onde estivermos e fazer um mundo melhor.”

 

Nem só de pão vive o homem

 

Na Encíclica Fratelli Tutti, o papa chama a atenção e esclarece que “Reconhecer todo o ser humano como um irmão ou uma irmã e procurar uma amizade social que integre a todos não são meras utopias. Exigem a decisão e a capacidade de encontrar os percursos eficazes, que assegurem a sua real possibilidade. Todo e qualquer esforço nessa linha torna-se um exercício alto da caridade. Com efeito, um indivíduo pode ajudar uma pessoa necessitada, mas, quando se une a outros para gerar processos sociais de fraternidade e justiça para todos, entra no ‘campo da caridade mais ampla, a caridade política’. Trata-se de avançar para uma ordem social e política, cuja alma seja a caridade social.  Convido uma vez mais a revalorizar a política, que ‘é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas de caridade, porque busca o bem comum’”.

 

Teresinha Lima Silva expõe que nem sempre a necessidade das pessoas carentes se resume apenas a alimento. “Quando falamos de pessoas carentes, pensamos logo em coisas como comida, dinheiro. E está errado. Isso não é nada diante do descaso e desprezo que essas pessoas sofrem. A carência maior é de atenção. Atenção dos governantes e da sociedade, elas têm carência de serem vistas. É isso que o voluntário tem de oferecer para que essas pessoas sintam um pouco de dignidade”, pondera.

 

Suzany Marques