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08/09/2020

Igreja em Saída: exige a renovação pastoral das paróquias

Em artigo, bispo reflete sobre a paróquia à luz da instrução “A conversão pastoral da comunidade paroquial da missão evangelizadora da Igreja!”

Igreja em Saída: exige a renovação pastoral das paróquias - Notícias - Arquidiocese de Goiânia

 

A missionariedade acontece na vida paroquial, quando se supera a pastoral de conservação  (Dom Edson Oriolo)

 

O bispo da Diocese de Leopoldina (MG), Dom Edson Oriolo, é autor de várias publicações que contemplam reflexões profundas sobre a paróquia. Entre elas, destacam-se Paróquia Renovada – sinal de esperança; Gestão Paroquial para uma Igreja em saída; A revitalização das paróquias (artigo). No site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o bispo tem se debruçado, neste tempo de pandemia, a uma série de artigos intitulados “Ação Pastoral Pós-Pandemia”, que já está no número 12 e reflete sobre a dimensão pastoral nas comunidades paroquiais e faz críticas aos excessos na celebração da fé, como temos visto pelos meios de comunicação.

 

Por último, Dom Edson publicou o artigo A Paróquia à luz da instrução ‘a conversão pastoral da comunidade paroquial a serviço da missão evangelizadora da Igreja’, que tem sido amplamente divulgado. No texto, ele reflete sobre a instrução intitulada “A conversão Pastoral da Comunidade Paroquial a Serviço da Missão Evangelizadora da Igreja”, publicada, no dia 27 de junho, pela Congregação para o Clero. O sentido do documento, conforme o bispo de Leopoldina, “é revelar que ‘na Igreja há lugar para todos e todos podem encontrar seu lugar, respeitando a vocação de cada um’”. Ele ressalta que, embora não tenha causado alarme na Igreja na América Latina, o mesmo não aconteceu na Europa, onde a instrução causou posicionamentos adversos, sobretudo dos bispos alemães.

 

O referido documento, que levou Dom Edson a escrever um artigo de 10 páginas, é formado por 124 parágrafos, 183 notas de referências e composto por 11 capítulos. Aborda o sentido missionário e o valor da paróquia na contemporaneidade. Conforme relevou o bispo, o documento trata-se de uma síntese de dois outros documentos: Instrução interdicasterial: Ecclesia de mysterio, que trata de algumas questões sobre a colaboração dos fiéis leigos no ministério dos sacerdotes, publicado em agosto de 1997, e o segundo, a instrução da Congregação para o Clero: O presbítero pastor e guia da comunidade paroquial, de agosto de 2002.

 

 

Conversão pastoral
Dom Edson Oriolo vê como lacuna do recente documento a ausência da noção conceitual de conversão pastoral e explica o importante significado desse termo em documentos muito importantes para a Igreja, como o Documento de Aparecida (DAp). “Nesta Dom Edson Orioloimportante conferência encontramos as seguintes considerações sobre conversão pastoral: isto é, ‘abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé, realizar  reformas espirituais, pastorais e também institucionais, requer que as comunidades eclesiais sejam comunidades de discípulos missionários ao redor de Jesus Cristo Mestre e Pastor; vá além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária e, finalmente, que às exigências do mundo de hoje com indicações programáticas concretas, objetivos e métodos de trabalho, formação e valorização dos agentes e a procura dos meios necessários que permitam que o anúncio de Cristo chegue às pessoas, modele as comunidades e incida profundamente na sociedade e na cultura mediante o testemunho dos valores evangélicos’.”

 

Igreja em saída
Embora não deixe claro o significado de conversão pastoral, o documento da Congregação para o Clero apresenta três pistas para que as paróquias entrem na perspectiva de uma “Igreja em saída” que, conforme Dom Edson, visam reestruturar, reorganizar, reajustar, renovar, reorientar e revitalizar as nossas paróquias para serem mais missionárias, isto é, sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho; ir ao encontro daqueles que são a carne de Cristo, tocar e assumir seus problemas. Destaca o bispo: “O estar em atitude de ‘saída’ é pista, é diretriz, abertura de horizonte para a vida paroquial na dimensão da visibilidade da Igreja”.

 

Na perspectiva da evangelização, o documento reafirma que a paróquia é estrutura indispensável que favorece o exercício da fé e a identidade religiosa. Apresenta a paróquia não apenas como espaço geográfico delimitado, mas o contexto no qual cada um exprime a própria vida feita de relações, de serviço recíproco e de tradições antigas. Citando seu livro Paróquia Sinal de Esperança (p. 23), o bispo afirma que “a paróquia é o lugar para onde confluem tradições, expectativas, problemas culturais, sociais e políticos de seus habitantes”. Diante dessa reflexão, o aspecto territorial da paróquia é fator importantíssimo também. “O aspecto territorial das paróquias é importante para dar a concretude que o modelo da encarnação pede à Igreja. A paróquia, assim como a Igreja, precisa ser concreta.”

 

Já na perspectiva teológica, a instrução aprofunda-se sobre as mesas da Palavra de Deus e da Eucaristia, que são alicerces da vida da comunidade paroquial. Dom Edson diz que essas duas mesas motivam os fiéis a participar de tantas outras mesas no mundo urbano. Ele explica que a Eucaristia é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, alimento para o nosso caminhar peregrino neste mundo. Nesse sentido, “a paróquia é uma realidade dinâmica e viva, cuja transformação visa ser realmente o espaço onde o fiel possa alimentar-se do mistério de Jesus Cristo celebrado eclesialmente”.

 

Por ser fonte essencial da vida cristã, o sacrifício eucarístico, conforme o documento, é o alimento para o nosso caminhar peregrino neste mundo e os padres têm a desafiante missão de fazer com que a celebração eucarística se torne o elemento central da vida eclesial dos fiéis. A missa, portanto, não termina quando o padre diz “Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe”. “Nós podemos dizer claramente: ‘Ide, a missa continua’, ou seja, agora é a missão. A Eucaristia aponta horizontes novos para que a paróquia não fique restrita ao aspecto canônico-territorial, mas vivencie seu autêntico caráter de assembleia eucarística”, afirma Dom Edson em seu artigo. A homilia é também outro meio que ilumina a vida cristã, pois a pregação suscita nos fiéis a vocação evangelizadora, uma vez que ela e a catequese são os instrumentos mais adequados para obter a conversão pessoal e o testemunho da vida. Oração, contemplação, pessoais e comunitários, deverão prescrever os tempos fortes do programa paroquial.

 

 

Prioridades pastorais
Dom Edson, por fim, reflete sobre as pistas pastorais e destaca que a missionariedade é o aspecto mais urgente na vida da comunidade paroquial. Mas o que seria essa dimensão missionária na paróquia? Ele explica que vai além de celebrar o culto e desenvolver atividades pastorais. É abraçar um estilo de vida que testemunhe concretamente o amor. “Equivale a ter os mesmos sentimentos de Cristo, no exercício da comunhão, perdão, acolhimento, valorização e abertura ao outro.”

 

A missionariedade acontece na vida paroquial, conforme Dom Edson, quando se supera a pastoral de conservação, que repete as mesmas fórmulas e se conforma com os mesmos resultados. O documento ressalta que para isso “é indispensável que a cúria e os organismos de comunhão favoreçam novos paradigmas de comunhão e participação. Já as paróquias precisam crescer em referencial para os fiéis, como sinais da ‘Igreja que vive entre as casas de seus filhos e filhas’”. A instrução valoriza ainda a importância dos fiéis leigos com a riqueza de carismas e ministérios a serviço da paróquia e sua participação nos organismos de corresponsabilidade eclesial, como os conselhos para assuntos econômicos e de pastoral paroquial ajudando os seus párocos. A paróquia jamais deverá ser burocratizada e se tornar uma organização de eventos, conforme frisa o documento. As foranias e/ou os vicariatos, como é o caso da divisão de regiões pastorais na Arquidiocese de Goiânia, é uma chave importante para a ação pastoral das paróquias, pois possibilita reorganizar, posicionar, articular, conscientizar, implementar, valorizar as foranias, com toda sua estrutura. Isso é condição indispensável para introduzir a renovação eclesial em uma diocese. Ele comenta ainda sobre o papel da forania ou vicariato na ação pastoral da paróquia. “Designa a instância apropriada para a partilha, discussão e desenvolvimento de ações evangelizadoras comuns, que sejam propostas, dialogadas, animadas, coordenadas e avaliadas de modo colegiado, na consciência de mútua corresponsabilidade, em vista de uma pastoral contextualizada, relevante e orgânica.” Conclui pontuando que “a forania ambienta e aperfeiçoa o relacionamento entre as diversificadas expressões do ‘ser Igreja’ para uma vivência eclesial mais sólida: fortalece a fraternidade presbiteral; favorece as relações entre o laicato e os ministros ordenados; estimula a integração das expressões de vida consagrada à pastoral da Igreja Particular; potencializa a troca de experiências entre paróquias e o enfrentamento conjunto de dificuldades similares”.

 

Uma paróquia-escritório não serve

Dom Edson conclui seu artigo com as palavras do papa Francisco no encontro com os bispos poloneses, no dia 27 de junho de 2016, em que há a síntese da ‘paróquia em saída’ sonhada pelo Santo Padre e que afirma o valor da paróquia para a conversão pastoral. No texto, o papa diz que a paróquia é sempre válida, que há paróquias com as portas fechadas, mas há também aquelas que, quando chega alguém com uma questão, lhe dizem: ‘Sim, sim… Sente-se. Qual é o problema? E escuta-se com paciência… porque cuidar do Povo de Deus é cansativo, é cansativo!”. Isso acontece principalmente nas paróquias que são organizadas, segundo o papa. Ele aponta que é dever dos bispos ter sempre sob seus olhos a renovação da paróquia: “Como está a paróquia? Que faz? Como está a catequese? Como é ensinada? É aberta?”. Enfim, a paróquia deve ser uma casa acolhedora. Àqueles que dizem que a paróquia é estrutura ultrapassada, o papa responde que isso não é verdade. Segundo ele, os movimentos e as pastorais devem ajudar na paróquia e não ser alternativa a ela. “Na paróquia, não se toca: deve permanecer como um local de criatividade, referência, maternidade e o mais que seja; e, dentro disto, exercitar a capacidade inventiva. E quando uma paróquia procede assim, realiza-se aquilo a que chamei – isto a propósito dos discípulos missionários que perguntavam – ‘a paróquia em saída’”. “Uma paróquia-escritório não serve”, realça o papa. “É preciso inventar, procurar, sair; procurar as pessoas, penetrar nas dificuldades das pessoas.  Se não vais à procura das pessoas, se não te aproximas, elas não vêm. E isto é o discípulo missionário, paróquia em saída. Sair a procurar, como fez Deus que enviou o seu Filho à nossa procura. Os bispos devem interpelar os padres sobre isto: Como está a tua paróquia? E tu sais? Visitas os presos, os doentes, as velhinhas? E, com as crianças, que fazes?”

 

 

Fúlvio Costa