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03/05/2021

Vida litúrgica em tempo de pandemia

Vida litúrgica em tempo de pandemia - Palavra do Arcebispo - Arquidiocese de Goiânia

Na medida que nos é possível, neste tempo de pandemia vamos à igreja para o encontro com Cristo, à volta da mesa da Palavra e da Eucaristia. Jesus coloca-se no nosso meio. “Ele está presente no meio de nós quando nos reunimos no seu amor e, como outrora aos discípulos de Emaús, ele nos explica o sentido da Escritura e nos reparte o pão da vida” (Oração Eucarística V). Nós abeiramo-nos do Senhor, “espantados e cheios de medo” (Lc 24,37), por causa dos nossos pecados. Mas estamos cheios de confiança, pois “se alguém pecar, nós temos Jesus Cristo, o Justo, como advogado junto do Pai” (1 Jo 2,1).

 

O evangelho de São Lucas (24, 35-48) evidencia três dimensões muito importantes para celebrarmos a Páscoa e tornarmos possível, real e não virtual, o nosso encontro com Cristo Ressuscitado: a comunidade, a corporeidade, a comensalidade).

 

1.  A comunidade: Os discípulos de Emaús regressam à comunidade primeira, ao grupo dos onze Apóstolos, de onde tinham desertado. Ali dão testemunho do seu encontro com Cristo no caminho de Emaús e, em casa, ao partir do Pão. Ali recebem o testemunho dos outros Apóstolos, que viram o Senhor. Ali, juntos, em comunidade, fazem a experiência de Cristo, que está no meio deles, desse Cristo que os precede no caminho e os preside à mesa. Sozinhos, duvidam. Sozinhos, não sabem se estão sonhando, delirando ou vendo um fantasma. É no encontro e no confronto, no seio de uma comunidade viva, que podem realmente crescer na fé e no testemunho. Ninguém pode dispensar-se da comunidade.

 

2.  A corporeidade: O relato da aparição do Ressuscitado (Lc 24, 36-46) insiste muito na importância do corpo, das mãos e dos pés, da carne e dos ossos de Jesus. O corpo não é um obstáculo, nem uma prisão da alma. Por isso, uma fé viral e virtual, imaginária, desencarnada, que dispense o corpo e os seus sentidos, é apenas um ilusório sentimento religioso. A vida cristã não se realiza fora desta esfera corpórea e material, porque em Jesus Cristo o Verbo se fez Carne e a nossa carne tornou-se via de salvação. Por isso, rezamos e celebramos também com o corpo.

 

3.  Comunidade e corporeidade convergem na comensalidade. Precisamos nos encontrar junto à mesa da Eucaristia. Jesus disse-lhes: “Tendes aqui alguma coisa para comer?” É sempre na sala da Ceia, participando de uma refeição, que o Ressuscitado se manifesta. É, ao partir do pão, que os discípulos o reconhecem vivo e ressuscitado. Este alimento tomado à mesa não pode ser substituído por transmissões eletrônicas. Não podemos ficar satisfeitos com uma Missa pela televisão, pelo Facebook, como não podemos matar a fome ao ver programas de arte culinária.

 

Fique então claro para todos, agora que começamos a sair do isolamento físico: “Uma familiaridade com Cristo sem comunidade e sem pão, sem povo e sem sacramentos, é perigosa. Pode tornar-se uma familiaridade agnóstica” (Papa Francisco, Homilia, 17.04.2020), isto é, aparente, sem consistência, sem vitalidade real. Tenhamos, por isso, cuidado em não nos acomodarmos ao sofá das transmissões das celebrações pela internet ou pela TV. Logo que for possível, voltemos a celebrar a Páscoa na igreja. Voltemos, com alegria, à comunidade, de corpo e alma, à mesa da Eucaristia.

 

 

Dom Washington Cruz, CP
Arcebispo Metropolitano de Goiânia