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30/11/2020

O Evangelho segundo Marcos

O Evangelho segundo Marcos - Palavra do Arcebispo - Arquidiocese de Goiânia

Queridos irmãos e irmãs,

 

A vida da Igreja é ritmada pelas celebrações litúrgicas ao longo de um ano, que chamamos de Ano Litúrgico. Para que possamos ouvir amplamente os textos da Sagrada Escritura a Igreja nos propõe um ciclo trienal de leituras dos Evangelho, no que diz respeito à liturgia da Santa Missa dominical. Assim, a cada três anos, ouvimos os textos dos três Evangelhos chamados de Sinóticos, que são os segundo São Matheus, São Marcos e São Lucas. A partir deste primeiro domingo do Advento, começaremos o Ano Litúrgico B, durante o qual ouviremos, prioritariamente, o Evangelho segundo São Marcos.

 

 Esse Evangelho é, segundo os estudiosos, o mais antigo dos Evangelhos canônicos. A tradição eclesial o atribui a João Marcos, filho de certa Maria, em cuja casa se reunia a comunidade de Jerusalém (At 12,12). De origem judaica, primo de Barnabé, Marcos foi colaborador de Paulo e de Pedro (At 12,12; 13,5; 15,36-39; 1Pd 5,13). Segundo a tradição, ele escreveu seu Evangelho em Roma, no tempo do martírio de Pedro (± 65 d.C.). Essa data é confirmada pelas alusões à Guerra Judaica e à destruição de Jerusalém (66-73 d.C.), que se podem reconhecer sobretudo em Marcos (13).

 

Naqueles anos, os discípulos e as testemunhas diretas de Jesus estavam desaparecendo. Marcos pôs por escrito a pregação deles, criando o gênero literário do Evangelho, escrito como instrumento para o impulso missionário e a expansão da comunidade. As explicações de usos judaicos (Mc 7,3-4.11) mostram que entre seus leitores havia pessoas que não eram de origem judaica.

 

O Evangelho de Marcos é chamado de “Evangelho querigmático”, pois ele apresenta o “querigma” ou primeiro anúncio cristão da morte e ressurreição de Jesus, de acordo com as escrituras (cf. 1Cor 15,3-5). Contrariamente aos critérios de sucesso e prestígio, o Crucificado é o Messias e Filho de Deus (cf. Mc 1,1). Marcos registra o primeiro anúncio a fim de servir de referência para os evangelizadores e, além disso, lembrar à comunidade, já evangelizada, o anúncio anteriormente recebido. Porém, antes do querigma da morte e ressurreição de Jesus, Marcos apresenta o querigma do próprio Jesus: o anúncio da chegada do reino de Deus, pois sem a atividade profética de Jesus, sua morte perde seu sentido. Marcos mostra que Jesus não é um messias de sucesso (o “Messias esperado”), mas um messias diferente, inaudito (o “Messias inesperado”). Nem mesmo os discípulos compreenderam Jesus até que levasse a termo a sua obra. Servo do Senhor e Filho de Deus, fiel até a morte por amor, Jesus é também o Filho do Homem escatológico, e a ressurreição revela que Deus confirma a sua obra e que ele continua conduzindo seu rebanho na “Galileia” que é o mundo (Mc 16,7).

 

Gostaria de convidar todos os irmãos e irmãs da nossa Arquidiocese a mergulharmos na escuta e na meditação deste Evangelho. Podemos fazer isso de duas maneiras complementares. A primeira e mais importante é a atenção às leituras proclamadas durante a Santa Missa com a homilia proferida pelo presidente da celebração. A segunda, mais pessoal, é fazer, diariamente, a Lectio Divina dos textos da liturgia diária. Associando essas duas atitudes concretas, poderemos, certamente, conhecer mais profundamente o Senhor ressuscitado e viver a experiência dos primeiros discípulos de ter uma fé profunda e operante por meio da caridade.

 

 

Dom Washington Cruz, CP
Arcebispo Metropolitano de Goiânia