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06/11/2020

Responsabilidade social é dever de todos

Responsabilidade social é dever de todos - Palavra do Arcebispo - Arquidiocese de Goiânia

Queridos irmãos e irmãs,

 

A liberdade é um dom tão sagrado da humanidade que Deus é o primeiro a respeitá-la. Assim, que não se diga precipitadamente que as escolhas pessoais, sociais e políticas foram “porque Deus quis assim”. Certas ou erradas as nossas opções são respeitadas por Deus, ele que nos quer livres e capazes de usar a inteligência, o discernimento e a autonomia para construirmos nossa pátria e nossa história. Neste tempo importante de eleições, é importante que voltemos, então, o nosso olhar sobre nós mesmos e nossas práticas para avaliar, responsavelmente, acerca de nossos caminhos, os rumos que temos dado às nossas vidas, à Igreja, ao nosso município, ao país e ao mundo. É necessário nunca nos esquecermos que votar é fazer escolhas com responsabilidade e compromisso.

 

No dia das eleições, o número que digitamos na urna não apresentará apenas o rosto de um candidato, mas terá o rosto de um futuro para todo o município onde habitamos. Não escolhemos apenas nomes, mas escolhemos, também, se queremos continuar tendo água para viver, casa para morar, escola de qualidade para estudar, emprego e renda para conquistar o pão nosso de cada dia, acesso ao serviço de saúde quando adoecermos, rua iluminada e segurança pública para convivermos em paz, saneamento para tratamento de esgotos a fim de assegurar-nos vida saudável, reciclagem do lixo, arte e cultura para alimentar a nossa fome de beleza.

 

Assim, a eleição não é uma brincadeira e não deve ser encarada como um dia de feriado. Esse dia, ao contrário, é um tempo propício para a reflexão, para a maturação das escolhas e para o acerto no rumo que damos ao futuro. Não adianta apenas fazer torcidas, porque derrotas e vitórias eleitorais não são iguais a campeonatos, pois elas trazem consigo graves e profundas consequências para vida.

 

Neste ano passamos por uma pandemia que impactou da humanidade inteira. Enfrentamos o isolamento, o medo, os desencontros e o luto. Agora, quando precisamos erguer a cabeça e ir em frente, devemos nos questionar: quais escolhas faremos para superar os nossos desafios econômicos e sociais decorrentes a pandemia? Retornaremos aos conflitos dos grupos das redes sociais? Repassaremos fake news sem analisar os estragos, o que significa espalhar o boato e a mentira? Relativizaremos a importância da ética, da proteção ambiental, dos Direitos Humanos e da paz social?

 

Voto não tem preço, tem consequências! A campanha para não vender o próprio voto foi assumida com muita determinação pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que não é alheia à democracia brasileira – ainda é jovem e em fase de aperfeiçoamento. Precisamos, ainda, caminhar muito, rumo à cidadania plena. Nossa história republicana traz consigo o voto de curral, a prepotência do coronelismo, as conveniências do populismo, a supressão dos direitos civis e os regimes de exceção, os impeachments e as sucessivas prisões por corrupção. Em cada uma dessas situações, o voto foi hora comprado, hora pisoteado. Agora, em plena era digital, ainda se pode continuar a vender e a comprar voto em troca de empregos sem concurso público, por afinidade esportiva, por admiração estética, promessas fantasiosas, conveniências ideológicas, apelos de amigos ou parentes. Não se pense, preconceituosamente, que apenas o pobre despolitizado da periferia ou de interior e de baixa escolaridade é que se deixa comprar pelo voto. Também pode haver muita gente letrada por aí que é analfabeto político e se deixa enganar, vendendo a sua própria consciência.

 

Muitos dos cristãos que nos precederam derramaram seu sangue pela redemocratização do Brasil e pela dignidade do povo brasileiro. Portanto, a exigência da fé cristã continua nos pedindo o testemunho do compromisso social pela identificação da cidadania e pela defesa da vida. Rogo para que Deus abençoe e ilumine a todos a fim de que nossas escolhas possam ajudar a construir um futuro melhor para todos.

 

Dom Washington Cruz, CP
Arcebispo Metropolitano de Goiânia