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01/09/2020

Redescobrindo a Palavra de Deus

Redescobrindo a Palavra de Deus - Palavra do Arcebispo - Arquidiocese de Goiânia

A formação espiritual deve convergir em direção a uma realidade que pode ser resumida no seguinte itinerário: conhecer, amar e testemunhar o Cristo, porque o Cristianismo é uma experiência de uma pessoa viva de Alguém que quer entrar em diálogo conosco. Para que essa formação espiritual se torne concreta, devemos voltar às fontes da nossa fé (a Bíblia, a Liturgia e os escritos dos Padres), nas quais o Espírito Santo torna viva a Palavra, que se torna inteligível e sempre nova no interior da Tradição e da fé da Igreja (Dei Verbum, 12).

 

No tempo dos Padres, a escuta da Palavra marcava a vida de oração e de caridade apostólica das comunidades cristãs. Por essa razão, aquelas comunidades eram cheias de um grande impulso e vitalidade evangélica. Surge, assim, a pergunta: poderíamos, hoje, recuperar aquele ardor do início? Como Cristo é o mesmo “ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8), creio que certamente é possível recuperar tal ardor por meio de uma atenta e aprofundada escuta da Palavra de Deus.

 

Para a vida da Igreja esse é o tempo de um novo ardor espiritual, segundo as orientações do Vaticano II e as linhas mestras do Magistério da Igreja. Entre os elementos desse novo ardor está, sem dúvida, a valorização, seja na vida pessoal dos fiéis, seja naquela da comunidade cristã, da prática da Lectio Divina, escuta orante da Sagrada Escritura, capaz de transformar os nossos corações e de iniciar cada um de nós na arte da oração e da comunhão. Uma frase da Escritura introduz bem o método da Lectio Divina: “esta palavra está muito perto de ti, está na tua boca e no teu coração, para que tu a coloques em prática” (Dt 30,14). De fato, é assim: a Palavra de Deus está na boca para leitura, no coração para meditação e oração, na prática para a contemplação. A Lectio Divina, de fato, é um modo excelente para se ler a Sagrada Escritura, é a oração que nasce da Bíblia e é feita com ela.

 

O esquema clássico da tradição patrística e monástica, que Guigo II bem formulou no seus escritos a partir do texto “pedi e recebereis, buscais e achareis, batei e vos será aberto” (Mt 7,7), apresenta as quatro etapas clássicas da Lectio Divina, e assim comenta: “buscai na leitura e achareis com a meditação, batei na oração e vos será aberta a contemplação”. O monge cartucho, portanto, parafraseando os dois últimos convites do Senhor, reassume o seu método em quatro tempos: leitura, meditação, oração, contemplação. Depois, Guigo II clarifica o seu pensamento assim: “A leitura indaga e a meditação encontra, a oração pede e a contemplação saboreia. A leitura se pode dizer que leva à boca o alimento sólido, a meditação o mastiga e o tritura, a oração sente o sabor, a contemplação e a doçura mesma que dá a alegria e renova a força. A leitura permanece sobre a fachada, a meditação penetra no miolo, a oração nos impulsiona à procura suscitada pelo desejo, a contemplação repousa em gozar a doçura alcançada”.

 

Vivemos na Igreja um momento forte de chamada espiritual e da escuta da Palavra de Deus na comunidade cristã e na vida de cada fiel. Vemos, portanto, que é mister redescobrir a beleza da oração com a Palavra de Deus e o valor desse exercício para o nosso caminho cristão. Para cooperar com esses passos, a cada domingo durante este mês da Bíblia, gostaria de oferecer uma reflexão sobre cada passo da Lectio Divina, para que possamos redescobrir e aprofundar a leitura orante com a Palavra de Deus.

 

 

Dom Washington Cruz, CP
Arcebispo Metropolitano de Goiânia