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16/11/2019

"Até aqui nos ajudou o Senhor (1Sm 7,12)

A vida da Igreja está atravessada pela vida de Cristo. Pelo Batismo, o cristão é convidado a se revestir do Senhor (Rm 13,14), deixando que cada parte de sua existência se converta em testemunho de fé e amor. Nesse caminho, somos auxiliados pela pedagogia do Ano Litúrgico, que nos ajuda a aprofundar, passo a passo, o mistério da nossa salvação.

 

Ao inspirar-se no ciclo da natureza, a Liturgia nos ajuda a santificar todos os momentos da nossa vida. Ao nascermos, somos recebidos na comunidade cristã, assumindo plenamente a nossa filiação divina. Desse momento em diante, recebemos a força de Cristo na Eucaristia, somos confirmados no Espírito Santo, restaurados em nossas falhas e curados em nossas feridas.  Além disso, no que se refere à “vida da graça”, por meio da Liturgia, temos a oportunidade de celebrar e viver com o Senhor os principais momentos de sua vida terrena. Esse é o verdadeiro sentido do Ano Litúrgico.

 

Ocorre que, embora se aproxime do calendário civil, possuindo, igualmente, um começo e um fim, o Ano Litúrgico tem a sua própria natureza. Não está pautado nos interesses do mundo, mas numa leitura do mundo transfigurado pela presença de Cristo. Após a sua ressurreição, ele prometeu permanecer unido à sua Igreja e retornar no “último dia” (Jo 14,28). Fiéis a essa promessa, oferecemos a nossa oblação contínua, até que ele seja tudo em todos (1Cor 15,28). Aguardamos a sua volta e, enquanto isso, elevamos as nossas súplicas pela santificação do mundo.

 

Se o ano civil começa em 1º de janeiro e termina em 31 de dezembro, em se tratando do Ano Litúrgico, seguimos outra ordem. Temos como ponto de partida a Encarnação do Verbo de Deus entre nós, a feliz celebração do nascimento do Salvador. Partindo desse ponto, somos conduzidos por um itinerário que tem como ponto alto a Páscoa. Dali em diante, a força do Ressuscitado nos motiva a caminhar, iluminados, a cada domingo, por algum episódio retirado de sua vida pública. Por fim, como coroamento do percurso, renovamos nossa fé em Jesus Cristo, Rei do Universo, o que geralmente ocorre em um dos últimos domingos do mês de novembro. Essa celebração corresponde ao término de um ciclo litúrgico, a fim de nos prepararmos para o próximo que imediatamente se inicia.

 

Na passagem de um ciclo para o outro, há, contudo, um momento de singular importância. Um tempo de preparar o coração para a vinda do Senhor. Chamamos esse período de Advento, composto por quatro semanas. Assim, a cada novo ano, colocamo-nos novamente disponíveis à ação de Deus em nós, iluminados e, ao mesmo tempo, desafiados por sua Palavra. O Advento é tempo de reacender a luz de Cristo em nós, ou, nas palavras do apóstolo João, retornarmos ao nosso “primeiro amor” (Ap 2,4). É, sobretudo, confiança vigilante na vinda derradeira de Jesus (Ap 21), de resistência às ciladas do maligno (1Pd 5,8), de perseverança no caminho da fé (At 2,42).

 

Ao nos encaminharmos para o término de mais um Ano Litúrgico, somos convocados pela Igreja a nos apresentarmos diante do Senhor com a pergunta que motivou o nosso caminho de discípulos até aqui: “Senhor, que queres que eu faça?” (At 9,6). A resposta, vinda do fundo do nosso ser, consistirá num renovado apelo por conversão. Eis que, então, o exemplo de Maria, a Mãe auxiliadora dos cristãos, poderá nos ajudar; ela que não mediu esforços para se dispor plenamente à ação de Deus em sua vida. Conscientes de que todo “fim” é também a oportunidade de novos começos, abramos nosso coração e confiemos uma vez mais, pois “até aqui nos ajudou o Senhor” (1Sm 7,12).

 

Dom Washington Cruz, CP
Arcebispo Metropolitano de Goiânia