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11/11/2019

“A esperança dos pobres jamais se frustrará” (Sl 9,19)

“A esperança dos pobres jamais se frustrará” (Sl 9,19) - Palavra do Arcebispo - Arquidiocese de Goiânia

A nossa Arquidiocese realizará, no dia 17 deste mês, em sintonia com a Igreja em todo mundo, a terceira edição do Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo papa Francisco. “A esperança dos pobres jamais se frustrará” (Sl 9,19) é o tema motivador. Essa iniciativa faz eco às palavras de Tiago, Cefas e João, que recomendaram a São Paulo e a seus companheiros que se lembrassem dos pobres, e o que o grande apóstolo dos gentios afirmou ter procurado fazer (cf. Gl 2,10).

 

A opção preferencial pelos pobres, como disse o papa Bento XVI, em seu Discurso na Sessão Inaugural dos trabalhos da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, “está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com a sua pobreza (2Cor 8,9) (Bento XVI, Discurso inaugural, 3). Além desse fundamento cristológico, existe outro ponto que devemos considerar em relação a essa evangélica opção.

 

A vida em sociedade deve ser regida por alguns princípios éticos que articulam a mensagem evangélica com os diversos problemas sociais. Um desses princípios é o do bem comum, conjunto de condições sociais que permitem a todos e a cada um dos membros de uma comunidade atingir, sozinhos ou associados, de modo mais fácil e rápido, a sua própria plenitude.

 

Todos os membros de uma comunidade devem cooperar para que o bem comum seja promovido e defendido. Ao mesmo tempo, todos têm o direito de ter acesso a esses bens, pois os bens criados foram destinados a todos os seres humanos. Mesmo os bens que são frutos da criatividade humana, em última instância, dependem do bem fundamental que nos foi dado por Deus, nosso Criador: a nossa existência, com todos os dons naturais e sobrenaturais que dele recebemos e que nos fazem capazes de transformar a criação.

 

Quando um pai e uma mãe cuidam de seus filhos, sabem que tudo aquilo que podem oferecer a eles está destinado a todos e não só a um deles. A oferta de tais bens não se baseia na igualdade quantitativa, mas na necessidade que cada filho tem. Se um filho, por alguma razão, tem uma necessidade especial, os pais atendem em primeiro lugar a esse e, em seguida, os demais. Seguindo essa mesma lógica, a Igreja, mãe e mestra, sabe que todos os bens têm uma destinação universal e eles devem acudir, em primeiro lugar, aqueles que têm mais necessidade deles: os pobres. Por isso, eles ocupam o lugar preferencial, não exclusivo, na atenção da Igreja.

 

Nesse contexto, é necessário lembrar que o ser humano não é, todavia, carente somente de bens materiais, mas também é pobre de bens que não são tangíveis. Na nossa condição de pecadores, o maior bem de que carecemos é a graça de Deus, por isso, o maior dom que a Igreja pode oferecer ao ser humano é Cristo mesmo, único capaz de nos enriquecer com a sua pobreza. Assim, ela pode acudir o homem de muitas formas, mas a mais importante será sempre anunciando o Evangelho. Em muitos casos, porém, junto com a evangelização, ela deve atender demandas urgentes de ordem material, sem as quais o homem nem estaria em condição de ouvir o anúncio de Cristo.

 

Neste Dia Mundial dos Pobres, gostaria de convidar todos os membros de nossas comunidades para sairmos de uma mera reflexão teórica ou genérica. Peço a cada irmão que se levante e procure ir ao encontro de uma pessoa concreta, talvez muito próximo de você, e que vive numa situação de pobreza. Devemos ir ao encontro dessas pessoas como cristãos, oferecendo o maior tesouro, o Senhor, mas sem fechar os olhos às necessidades de ordem material. Façamos um passo em direção a alguém, como sempre faz Jesus em relação a nós, e sejamos portadores da boa notícia da fé que se torna operante por meio da caridade.

Dom Washington Cruz, CP
Arcebispo Metropolitano de Goiânia