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22/04/2019

Cristo ressuscitou. Aleluia! Aleluia!

Jesus permanece conosco

Cristo ressuscitou. Aleluia! Aleluia! - Notícias - Arquidiocese de Goiânia

           A alegria toma conta da Igreja, corpo místico de Cristo. Não uma alegria passageira, líquida do nosso tempo, mas aquela que é o sentido da nossa fé, que nos move a Deus, portanto, permanente. Hoje (21), celebramos o Domingo de Páscoa. Cristo vive! De hoje até Pentecostes serão 50 dias de Tempo Pascal. “Depois do Tempo Comum, o Tempo Pascal é o maior de toda a liturgia.

  A Páscoa do Senhor é a maior festa do Cristianismo, é a festa da Ressurreição, um marco na História, mas também uma grande alegria para os discípulos de Jesus que sofreram a Semana Santa, viram a perseguição, Jesus sendo preso, torturado, morto e agora, três dias depois, percebem o túmulo vazio e, com as aparições, veem que ele vive”, explicou, em entrevista, o missionário passionista, padre Rodrigo Antônio Alves Ferreira, vigário da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, do Setor Balneário Meia Ponte.

  A Páscoa do Senhor é precedida pelo Tríduo Pascal que culminou com a celebração da Vigília Pascal no sábado à noite, e o Domingo de Páscoa com as missas celebradas durante o dia. Embora seja um dia especial, a alegria do Mistério celebrado extrapola esse dia. Assim, os próximos oito dias serão para celebrar esse mesmo acontecimento. “Na Oitava da Páscoa, como são chamados os oito dias após a Ressurreição do Senhor, temos a oportunidade de celebrar o mesmo acontecimento que não se esgota durante um dia, por isso, nestes oito dias temos as celebrações todas voltadas para a Páscoa de Jesus”, esclareceu padre Rodrigo. A seguir, para uma leitura mais fluente, apresentamos, em tópicos, a conversa que tivemos, com o entrevistado, sobre o Tempo Pascal.  

 

Tempo de fazer a experiência do Ressuscitado

             Certamente a Ressurreição de Jesus foi algo que extrapolou o imaginário, a racionalidade dos discípulos. Não se tinha ainda informações de alguém que tinha ressuscitado, ele foi o primeiro e para os discípulos isso foi uma novidade, uma surpresa, por mais que eles acreditassem no projeto de Jesus, por mais que eles tivessem entendido que Jesus pregava um reino que deveria vir, milagres, sinais realizados que eram extraordinários que não se encontravam em qualquer lugar, mas nada disso se podia comparar com a Ressurreição e, por isso, os discípulos se surpreenderam e levaram tempo para acreditar. Os primeiros relatos das aparições de Jesus, como o de Tomé, mostram o espanto dos discípulos, mostra que não foi algo natural para eles compreender que Jesus estava vivo.

            O acontecimento foi tão grandioso que era impossível crer logo de primeira, era preciso um tempo, fazer a experiência do Ressuscitado para poder acreditar. Então, Jesus aparece para Tomé e são interessantes o diálogo e a forma como Jesus conversa com ele: “não sejas incrédulo, coloque sua mão aqui”. Isso é um sinal que mostra que a Ressurreição é real, Jesus está vivo em corpo e alma, não é um espírito desencarnado que aparece para Tomé e os discípulos, é Jesus, o próprio Senhor. Portanto, o Tempo Pascal é, por excelência, o período de fazermos a experiência da presença viva, real de Jesus no nosso meio, pois, Ressuscitado, ele caminha conosco, está presente na vida da Igreja.

Domingo da Divina Misericórdia, 2º Domingo da Páscoa

Aparição aos discípulos (Jo 20,19-23)

               João narra nesta passagem (20,19-23) o medo em que se encontravam os discípulos após a morte de Jesus. O episódio tem vários sentidos. Trata-se de uma situação muito concreta porque os discípulos estavam com medo dos judeus. Ora, se mataram o Mestre poderiam matar também os seus discípulos. Depois da morte, eles permaneciam com esse medo e a situação histórica de Israel naquele momento nos leva também a compreender esse medo. Os romanos não toleravam qualquer sinal de revolta, qualquer sinal de movimentação contrária ao poder de Roma. Tudo que se fizesse, qualquer agitação no meio do povo podia culminar facilmente na condenação à morte, como foi a condenação de Jesus. Isso fazia com que os discípulos tivessem muito medo.

              As palavras “estando fechadas as portas” (20,19), também nos remetem ao sentido de que Jesus Ressuscitado não está preso às nossas estruturas, paredes de pedra, portas de madeira trancadas com cadeados, pois ele venceu essas barreiras físicas, está além do limite físico. Ele consegue entrar mesmo onde as portas estão fechadas, tem esse sentido também, espiritual. Quantos corações estão fechados para o Ressuscitado, quantas vidas estão trancafiadas com medo e não conhecem ainda o Ressuscitado.

             No último século, as reflexões teológicas sobre a misericórdia foram maiores que nos séculos anteriores. Nós ouvimos muitas pregações, muitos escritos, muitas reflexões sobre a misericórdia de Deus, sobre como Deus é misericordioso, e algumas pessoas fizeram experiências místicas, muito profundas sobre o Cristo misericordioso. O papa João Paulo II pregou muito sobre a misericórdia, sobre um Deus que é amor, perdão, que está sempre pronto a abraçar o filho que retorna à casa, como o pai misericordioso da parábola de São Lucas e, com isso, penso que se desenvolveu um ambiente favorável para instituir esse Domingo da Divina Misericórdia. O papa Francisco promoveu um ano dedicado à misericórdia no início do seu pontificado.

 

Domingo do Bom Pastor, 4º Domingo da Páscoa

As ovelhas ouvem a voz do pastor (Jo 10,27-30)

            Jesus se torna o grande pastor das ovelhas. Nos primeiros dias do Tempo Pascal, a liturgia nos recorda a história da Ressurreição e também uma transformação muito significativa na vida dos discípulos. Só a Páscoa é capaz de explicar como os discípulos, que estavam trancafiados por medo, foram capazes de se tornar anunciadores, pregadores. Isso tudo está ligado também à vinda do Espírito Santo em Pentecostes. Mas o desenvolvimento da liturgia nos mostra que em cada domingo nós celebramos um aspecto da vida após a Ressurreição de Jesus, e o Domingo do Bom Pastor foi incluído no meio do Tempo Pascal para nos recordar que Jesus vivo e ressuscitado continua pastor, continua presente na vida das comunidades.

           Jesus histórico caminhou com seus discípulos, porém, agora, o Cristo Ressuscitado permanece também acompanhando suas comunidades e seus discípulos. Como no caminho de Emaús, onde Jesus explicou as escrituras, falou sobre Moisés e os profetas, ele continua também caminhando com a Igreja, como pastor das ovelhas, e revelando as escrituras para nós. Por isso, é muito signifi cativo o Evangelho do Bom Pastor no Tempo Pascal, para nos recordar: Jesus permanece conosco, caminha com seus discípulos, ele está ainda hoje presente no seio da comunidade que se reúne em torno da celebração pascal, do mistério da sua Ressurreição.

 

A verdadeira Páscoa transforma nossas vidas

As festas religiosas no nosso mundo secularizado sofrem interferências com os símbolos que são usados mais pelo comércio, pelo capitalismo, pela obtenção do lucro do que pelo sentido espiritual, pastoral e teológico da celebração. Isso acontece também no Natal e o nosso desafio é sempre, de novo, explicar o sentido primeiro da Páscoa, é celebrar a Ressurreição de Jesus, o mistério da paixão, morte e vida plena que Jesus tem com a Páscoa e com ele também ressuscitar-nos, transformar a nossa vida, compreender como Deus quer que nos elevemos com Ele, por meio da Ressurreição de Jesus.

Uma das dificuldades que eu percebo nas comunidades, especialmente nos lugares mais pobres é que nós falamos da Ressurreição de Jesus com entusiasmo, com os textos bíblicos, mostrando a importância e a força da Ressurreição na nossa vida, nas comunidades, mas as pessoas continuam sofrendo, experimentando injustiças, casas inundadas, pobreza extrema, dificuldades com saúde e educação. Percebo também, por outro lado, que o nosso povo é feliz, não se deixa abater pelas dificuldades. Encontramos pessoas que trabalham o dia todo, chegam cansadas à noite, pegam ônibus lotados, mas estão alegres nas comunidades celebrando a Páscoa, celebrando o mistério da Ressurreição de Jesus. Mas o triste é perceber que mesmo com a Ressurreição de Jesus, muitas vidas ainda não foram transformadas, muitas pessoas ainda sofrem, não conseguem ver na sua vida os sinais da Ressurreição de Jesus. Cristo venceu a morte e, com ele, nós também podemos vencer os sinais da morte.

Fúlvio Costa