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14/09/2020

Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra, e luz para minhas veredas (Sl 119,105)

Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra, e luz para minhas veredas (Sl 119,105) - Palavra do Arcebispo - Arquidiocese de Goiânia

Querido irmãos e irmãs,

 

Já meditamos sobre a importância da invocação do Espírito Santo, como postura fundamental para se fazer a Lectio Divina, e sobre o primeiro momento, que é a leitura propriamente dita do texto bíblico. O segundo passo é fazer a Meditatio, ou seja, a meditação, que é o momento no qual Deus fala. Então, façamos silêncio e abramos os ouvidos: “Ouvirá que coisa diz o Senhor” (Sl 85,9).

 

A meditação sublinha o esforço que se faz para atualizar o texto e inseri-lo dentro do horizonte da nossa vida e da realidade, seja pessoal, seja social. O texto que foi escrito para mim deve falar a mim. Meditar é refletir sobre o valor permanente do texto, que é a verdade escondida a ser descoberta e atualizada para nós; é buscar o sabor da Palavra, não com a ciência; é buscar o rosto de Cristo atrás de cada uma de suas palavras; é ruminar a Palavra, buscando assentá-la dentro de si em um empenho de interioridade e concentração; é fechar os olhos diante do Senhor e confrontar o texto com a vida, evidenciando as posturas e os sentimentos que a Palavra de Deus nos transmite.

 

Na tradição espiritual a meditação percorre três momentos. O primeiro momento é o de recolher diligentemente a mensagem central do texto que se está meditando. Tal mensagem deve ser relacionado ao mistério de Cristo que unifica tudo. O segundo momento da meditação é onde são feitas as reflexões do que foi recolhido precedentemente. Nessa etapa, a Palavra que, em precedência, foi semeada, agora é semeada no bom terreno do próprio coração, na vigilância e no amor, deixando com confiança que o Senhor a cultive. O terceiro momento, enfim, é o do confronto, quando a Palavra interiorizada produz uma luz e uma força tal que ilumina a vida e a orienta decisivamente em direção a Deus. É esse o tempo de discernimento sobre a Palavra, ou como diziam os Padres, o tempo de peneirar os grãos da palha. Aqui, o confronto é algo interior que se percebe dentro da alma, e aquele que medita a Palavra o experimenta como um fogo que o aquece e o orienta no caminho em direção à experiência com Deus.

 

Um modo simples e prático de fazer meditação é o de fazer perguntas ao texto: Para mim, quais são a ideia e o valor fundamental do trecho? Por que é importante? O que me sugere e sobre o que me interpela? Com qual personagem do texto me identifico? Quais sentimentos e posturas me transmite? Como posso, com esse pensamento, iluminar minha vida? Trata-se de fazer penetrar a Palavra profundamente na intimidade do próprio coração e depois mobilizar todas as próprias energias para confrontar-se, andar dentro da Palavra e converter-se nela.

 

Esse texto, mastigado longamente no confronto pessoal, deve ser ruminado também durante a jornada, fazendo ressonar dentro de si uma palavra ou uma frase do mesmo texto, para espalhá-la na cotidianidade das próprias ações. A meditação, assim, ajuda-nos a colher o sentido espiritual, isto é, o sentido que o Espírito de Deus quer comunicar hoje a mim, através do texto bíblico. Meditando a Palavra, o nosso coração se dilata até compreender o coração mesmo de Deus, porque o Espírito age dentro da Escritura (cf. 2Tm 3,16) e nos ajuda a descobrir o sentido pleno das suas palavras (cf. Jo 16,13).

 

Gostaria de convidar vocês para que, durante a semana, além de continuarem a prática da leitura atenta, avançassem e passassem à meditação, considerando particularmente os três momentos acima indicados. Na próxima semana, falarei sobre o momento da oração.

 

 

Dom Washington Cruz, CP
Arcebispo Metropolitano de Goiânia