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01/11/2019

Alegrai-vos e exultai

Alegrai-vos e exultai - Palavra do Arcebispo - Arquidiocese de Goiânia

Caros irmãos e irmãs,

Todos os anos, no dia 1º de novembro, a Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos. Segundo a tradição, ela foi colocada neste dia para contrapor um costume dos povos celtas ingleses que, quando pagãos, celebravam, no 31 de outubro, as bruxas e os espíritos que vinham se alimentar e assustar as pessoas nessa noite. Na solenidade, a Igreja militante honra a Igreja triunfante do Céu “celebrando, numa única solenidade, todos os Santos” – como diz o sacerdote na oração da Missa – para render homenagem àquela multidão de Santos que povoam o Reino dos Céus, que São João viu no Apocalipse (Ap 7,4-14).

 

Recentemente, o papa Francisco escreveu a Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, para lembrar-nos do chamado à santidade que é feita a todo cristão e à necessidade de nós, cristãos de hoje, respondermos a esse chamado. No contexto da celebração de Todos os Santos, gostaria de colocar em evidência algumas das ideias comunicadas pelo papa no seu documento.

 

A primeira delas é o chamado universal à santidade, que consiste, como afirmou o papa, na configuração a Jesus na vivência das Bem-aventuranças (GE, n. 65-109). As Sagradas Escrituras, desde o Antigo Testamento, já indicavam o chamado à santidade feito por Deus a todos: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19,2). Ao longo dos tempos, porém, essa verdade foi perdendo sua força. Providencialmente, desde o século XVIII, com Santo Afonso Maria de Ligório e outros santos, passando pelo Concílio Vaticano II, com o documento Lumen Gentium (n. 39-42), a Igreja fez ressoar novamente o convite a todos os cristãos para empreender decididamente esse caminho de santificação pessoal.

 

O caminho de santificação tem, no mundo atual, segundo o papa, algumas características marcantes. Aquele que busca a santidade deve aprender a suportar com paciência e mansidão as adversidades da vida (GE, n. 112-121), vivendo-as com alegria e sentido de humor (GE, n. 112-128). Ao mesmo tempo, a santidade exige, em nossos dias, grande coragem e ousadia para remarmos contra a corrente (GE, n. 129-139). Tudo isso só se consegue a partir de uma profunda vida comunitária (GE, n. 140-146) e em estado de oração constante (GE, n. 147-157).

 

O caminho em busca da santidade, como configuração a Cristo, não é sem obstáculos. Nele, aparece sempre o demônio como tentador e inimigo do projeto de Deus, aquele que é homicida (Jo 8,44) desde o princípio e que tenta nos desviar do caminho do Senhor. Ele não é um mito ou figura de linguagem, mas um anjo mal, decaído, um ser que está tentando sempre nos tirar, fazer errar o passo (GE, n. 160-161). Por isso, a procura da santidade exige que vivamos num estado constante de luta e vigilância (GE, n. 159), despertos e confiantes na providência de Deus (GE, n. 162-163), para não cairmos na corrupção espiritual (GE, n. 164-165). É mister, portanto, que procuremos sempre discernir os sinais do espírito que nos move, para seguirmos somente o Espírito Santo (GE, n. 166).

 

Procuremos tenazmente a santidade. Assim, gozaremos daquela alegria prometida a quem é perseguido por causa do Reino de Deus (Mt 5,12), junto com todos os santos que celebramos nesta bela data solene. 

 

Dom Washington Cruz, CP
Arcebispo Metropolitano de Goiânia