Onde voce deseja procurar?

  • Arquidiocese
  • Paróquias
  • Clero
  • Pastoral
  • Liturgia
  • Cursos
  • Comunicação

Você está em:

  1. Home
  2. Comunicação
  3. Vida Cristã
  4. Precisamos ser médicos de homens e almas para vencer a batalha contra a covid

04/08/2020

Precisamos ser médicos de homens e almas para vencer a batalha contra a covid

“É fundamental que, a cada dia, renovemos nosso estoque de fé, esperança e compaixão, alimentando nossas almas”

Precisamos ser médicos de homens e almas para vencer a batalha contra a covid - Vida Cristã - Arquidiocese de Goiânia

Precisamos ser médicos de homens e almas para vencer a batalha contra a covid

 

A pandemia da covid-19 pegou o mundo de surpresa e, até mesmo nos países mais ricos, os sistemas de saúde estão completamente despreparados para atender à demanda gerada por essa tragédia de proporções globais. E nós, médicos e demais profissionais de saúde? Estávamos prontos para enfrentar o drama diuturno de assistirmos, às vezes impotentes, à agonia e à morte de tantos pacientes abatidos pelo inimigo antes desconhecido pela ciência? Obviamente que não.

 

 

Muitas universidades preparam com excelência os futuros profissionais de saúde, oferecendo-lhes uma ótima base de conhecimentos teóricos e práticos. Mas poucas nos ensinam a importância da humanização na relação com nossos pacientes ou a encarar nossas limitações

diante dos ditames divinos e do imponderável.

 

 

Alguns de nós, empáticos por natureza, dotados de uma fé viva, compreendemos e respeitamos melhor os sentimentos e necessidades de cada um, além de sofrermos menos estresse diante de situações dramáticas. Porém, raríssimos são os que se mantêm incólumes quando atuam na linha de frente em uma batalha diária nas proporções desta pandemia. Mais de 2,5 milhões de casos e 88 mil mortes no Brasil!

 

 

Pouco sabemos sobre esse vírus capaz de aniquilar suas vítimas em questão de horas. Todos os nossos conhecimentos são comumente inúteis para manter acesa a chama da vida. Precisamos, então, expandir a visão para além da matéria; reconhecer nossa, às vezes, frágil humanidade; elevar o olhar para o alto, confiando na máxima de que “não cai uma folha da árvore sem que Deus o permita”. O momento exige que nós, médicos católicos, estejamos de coração aberto para o próximo, atuando com amor e caridade como São Lucas, médico de homens e de almas.

 

Há alguns anos, quando coordenei a implantação do SAMU no Brasil, nas palestras que fiz por todo o país, sempre dizia a meus colegas: “Não basta ter apenas conhecimento, é preciso ter Deus no coração e ver sempre no outro nosso próximo”. Mais do que nunca enfatizo a necessidade de estarmos em conexão com o ser e enxergá-lo em cada pessoa que nos chega em busca de socorro, oferecendo nosso saber médico juntamente com atenção e acolhimento. E não somente ao paciente, mas também a seus familiares, em cujos rostos estão estampados a agonia, o medo, a dor por um filho, filha, pai, mãe, irmão, irmã, avós...

 

No entanto, só podemos dar aquilo que temos. Se estivermos vazios o que haverá para ser doa doado? É fundamental que, a cada dia, renovemos nosso estoque de fé, esperança e compaixão, alimentando nossas almas. Bebamos na fonte inesgotável de energia e de amor divinos sempre ao alcance, por meio da oração, da meditação ou simplesmente de alguns minutos de recolhimento e conversa sincera

com Deus.

 

Sejamos instrumentos da vontade do Pai, e a misericórdia fluirá espontaneamente através de nossas ações, para que cuidemos amorosamente de nossos pacientes sem distinção de gênero, raça, classe social. Para que saibamos respeitar a dignidade dos mais fragilizados, reconhecer os limites da ciência, oferecer consolo quando nossos recursos se esgotam. Se a medicação já não age, o amor e a fé podem fazer milagres. Acima de tudo, amemos o próximo como a nós mesmos, como Cristo.

 

 

Dra. Irani Ribeiro de Moura

Superintendente-geral da Santa Casa de Misericórdia de Goiânia e Presidente da Associação dos Médicos Católicos da Arquidiocese de Goiânia