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27/01/2020

Vida religiosa consagrada: por um mundo mais irmão

A vida religiosa consagrada deve ser entendida e vivida dentro de uma perspectiva maior: a graça da Santíssima Trindade

Vida religiosa consagrada: por um mundo mais irmão - Vida Cristã - Arquidiocese de Goiânia

A vida religiosa consagrada é a opção do cristão que amadureceu sua fé na Igreja e que aposta sua vida no discipulado missionário de Jesus Cristo. Sabe-se que essa é vocação comum a todos os batizados, portanto, o que é específico dessa maneira de vida cristã? A especificidade da vida religiosa consagrada está na radicalidade batismal expressa na ação carismática e na espiritualidade de cada família consagrada (ordens, institutos e congregações). É a polarização da vida cristã num específico carisma para o bem da Igreja e do mundo.

 

A vida religiosa consagrada deve ser entendida e vivida dentro de uma perspectiva maior: a graça da Santíssima Trindade. Em outras palavras, deve-se entendê-la a partir do ser e não do fazer, pois o religioso é um consagrado, independente do que realiza na Igreja. Os votos religiosos são apenas meios convenientes para se dedicar à vivência do Mistério de Cristo enviado para anunciar o amor misericordioso do Pai que nos ama como filhos e nos quer irmãos uns dos outros. Filiação e fraternidade são, portanto, as duas dimensões fundamentais da vida cristã que a vida religiosa consagrada se empenha em pôr em evidência na Igreja.

 

O religioso é, antes de tudo, um irmão de Cristo, pois a consagração batismal o incorporou a Jesus Cristo para ser, pela força transformadora do Espírito Santo, filho amado do Pai Eterno. Na profissão religiosa, ele propõe-se a estreitar mais o seu amor-união com Cristo, para participar da vida de amor do Pai, no Filho pelo Espírito. Os votos religiosos expressam a dedicação total e exclusiva do religioso a Cristo. Pela profissão, o religioso busca assimilar à sua vida o caminho histórico da vida de Jesus, ou seja: uma vida casta, pobre, obediente, a serviço e em doação até a morte, quando ressurge vitorioso (cf. Lumen Gentium 44).

 

O religioso é também um irmão entre outros irmãos, pois é chamado a promover fraternidade na Igreja. Os religiosos têm a missão de anunciar o amor-comunhão como a melhor forma de evangelização da Igreja. É dentro da comunidade que se exercita a vivência da fraternidade, para que ela profetize os valores fundamentais da vida cristã como uma comunidade fraterna. A fraternidade do religioso deve garantir à Igreja sua identidade de comunidade cristã que vive em fraterna comunhão, não deixando que ela se torne apenas uma Organização Não Governamental (ONG). A fraternidade do religioso deve recordar aos cristãos que o amor entre os irmãos já é evangelização, pois é a prova de que são verdadeiramente discípulos e missionários de Jesus Cristo (Jo 13,35). A fraternidade é a “pastoral” por excelência dos religiosos!

 

Ainda, o religioso é um irmão da humanidade, ou seja, irmão de todos. Sua consagração para viver a fraternidade se traduz em missão-serviço de amor a todos. Essa é a forma de tornar seu apostolado mais eficiente e sua pregação mais eloquente, pois o testemunho do amor-redenção em Cristo se concretiza na missão pela vida. As diversas atividades que assume são a concretização de seu amor a Jesus e à humanidade. Ele não se consagra para o trabalho, mas, sim, para a missão: pois o trabalho sinaliza a opressão do homem pelo homem para o acúmulo do capital, enquanto missão-serviço expressa o amor comprometido em promover a dignidade da pessoa humana como amada por Deus.

 

Por fim, o religioso testemunha a beleza da consagração e da liberdade no seguimento do Evangelho e no serviço por amor. A vida religiosa consagrada é um anúncio à Igreja e ao mundo da vida nova e plena presente em Cristo Jesus e uma denúncia contra os ídolos mundanos que são incapazes de salvar, de dar sentido libertador e profundo à vida humana e que não podem trazer felicidade perene ao coração. Essa é a sua dimensão profética, como um sinal claro da alegria em Cristo, expressa na vida de consagração e fraternidade para a missão. A Igreja tem o direito de olhar para os religiosos e contemplar neles a face do Cristo Irmão. Por isso, o ser religioso não é algo determinado pelo exercício de alguma função ou de algum ministério, tampouco por alguma formação acadêmica ou técnica. O religioso é chamado a ser presença fraterna no meio da humanidade, com o intuito de testemunhar o amor da Trindade para que o mundo seja mais irmão. 

 

Ir. Marcos Vinícius R. de Carvalho, C.SS.R