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23/12/2019

Vamos Cantar o Natal?

A Solenidade do Natal é, então, a grande festa da dignidade, em que assumimos nossa dignidade de filhos no Filho, como modo de expressão de sua luz para os outros.

Vamos Cantar o Natal? - Vida Cristã - Arquidiocese de Goiânia

No início de cada Ano Litúrgico, após atravessarmos as trevas da espera ansiosa, chegamos à belíssima celebração do Natal do Senhor. Tempo de festa, em que o céu e a terra se encontram: a natureza humana é elevada, na medida em que o Filho de Deus, que é Deus com o Pai, assume a condição de homem entre os homens. As palavras do Prólogo de São João servem de iluminação a respeito do mistério da fé que celebramos: “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; e o Verbo se fez carne e armou a sua tenda no meio de nós” (Jo 1,12-14).

 

A proximidade de Deus, que quis assumir a nossa condição e, ao mesmo tempo, nos enriquecer com sua presença, também exige nossa responsabilidade, sobretudo em prol de um mundo mais digno para todos. Nesse sentido, as palavras de Santo Efrém sobre o Natal nos ajudam a penetrar o sentido profundo do que celebramos: “Hoje, Maria, ao levar a divindade, se tornou para nós céu; e Cristo, sem deixar a glória paterna, se encerrou nos apertados limites do ventre materno, para exaltar os homens à dignidade mais elevada”. A Solenidade do Natal é, então, a grande festa da dignidade, em que assumimos nossa dignidade de filhos no Filho, como modo de expressão de sua luz para os outros.

 

Como um dos pontos altos do Ano Litúrgico, a Solenidade do Natal do Senhor não pode se reduzir a apenas um dia. Eis porque se estende numa oitava, isto é, em oito dias, durante os quais festejamos aquele mesmo dia do nascimento do Senhor e, posteriormente, em algumas semanas, nas quais temos a oportunidade de acompanhar os principais momentos da infância de Jesus: como a visita dos Magos, na Epifania, e o seu Batismo. Essas e outras celebrações constituem o que chamamos de Tempo do Natal, que dura até o dia 2 de fevereiro, com a Festa da Apresentação do Senhor, também chamada de Festa da Luz.

 

Ao falarmos em canto e música, o Tempo do Natal traz consigo grande jubilo pela presença do Salvador. Nosso canto se torna continuidade do canto dos Anjos que anunciaram aos pastores: “Glória a Deus nos altos céus e na terra paz aos homens de boa vontade” (Lc 2,14). Por esse motivo, alguns elementos devem ser lembrados:

 

O canto do Natal é um canto de festa. Deve-se cuidar para que os cantos escolhidos para o Tempo do Natal expressem a alegria pela presença do Senhor junto à humanidade. Podem ser valorizados os instrumentos que permaneceram mais sóbrios ao longo do Advento. Isso não significa, contudo, que os instrumentos devam se sobressair às vozes. O canto é indicativo da intensidade de nossa festa, por isso deve ter a participação de toda a assembleia.

 

Canta-se o Glória. Após passarmos todo o Advento sem cantar o Glória, devemos resgatá-lo em todo o seu sentido. Originalmente, o Glória só era cantado na noite do Natal, pelo bispo em sua catedral. Posteriormente, foi difundido para as demais comunidades e não apenas no Natal, mas em todas as grandes festas da nossa fé. Há, então, um estreito vínculo entre o Glória e o Tempo do Natal, e isso deve ser visto por meio do nosso canto. Prioriza-se a letra oficial da liturgia, que tem conteúdo cristológico, isto é, que enfatiza a centralidade de Cristo na vida da Igreja.

 

Cantos tradicionais de Natal. Quando falamos em Tempo do Natal, uma série de canções vêm à nossa mente. A maior parte delas constitui o repertório natalino ocidental, embora nem todas tenham sido compostas para a Liturgia. Assim, é preciso ter muita sensibilidade, reconhecendo o instante mais adequado para sua entoação. Algumas canções, como Adeste Fideles, podem aparecer como Canto de Preparação das Oferendas, sem atrapalhar o andamento da celebração. Outras, porém, são mais oportunas em outros momentos da comunidade, como na organização de uma Cantata de Natal, por exemplo, mas não dentro da Liturgia.

 

Articulação entre fé, liturgia e culturas populares. Ao longo do Tempo do Natal é comum a realização de alguns festejos populares, entre os quais destacamos as Folias de Reis e os Reisados. Tais celebrações constituem um patrimônio cultural do nosso povo e devem ser valorizadas. Como dissemos acima, cuidemos para que sua realização não entre em conflito com a Liturgia. É possível, por exemplo, entoar uma Folia como Canto de Entrada, como Canto de Preparação das Oferendas ou mesmo como Canto Final. Tudo irá depender do teor dos textos a serem cantados.

 

O canto como evangelização. O Tempo do Natal guarda consigo um alcance afetivo sobre as pessoas em geral. Tem, por isso, um potencial evangelizador que ultrapassa os muros de nossas paróquias. Nesse tempo, seria muito bom que organizássemos Cantatas e/ou apresentações em outros ambientes, como escolas, hospitais, praças públicas, como formas de evangelização por meio do canto e da música e, ao mesmo tempo, de darmos testemunho público de nossa fé.

 

Equipe de Canto Litúrgico da Arquidiocese de Goiânia