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09/09/2019

Festa da Exaltação da Santa Cruz

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que a Cruz é o altar da Nova Aliança, é o caminho para a santidade e para seguir a Cristo

Festa da Exaltação da Santa Cruz - Notícias - Arquidiocese de Goiânia

“Salvai-nos, Senhor, pela vossa Santa Cruz!”
(Prece das Laudes, 14 de setembro)

No próximo sábado, dia 14 de setembro, a Igreja celebra a Exaltação da Santa Cruz.  A festa é muito antiga e tem reflexões profundas na teologia. Em Jerusalém, estima-se que tenha surgido no século V. Já em Roma, celebrava-se, no dia 3 de maio, a chamada “Invenção”, que quer dizer, “o Encontro da Santa Cruz”. As duas festas foram unificadas no ano de 1960.

 

A história da Igreja registra que muitos santos se dedicaram a estudar a Santa Cruz e a ela prestar veneração. São Cirilo de Jerusalém, por exemplo, dizia que “a Cruz é o sinal dos crentes e o terror dos demônios” e que ela é “uma grande proteção: gratuita, por causa dos pobres; fácil, por causa dos fracos”. Já São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja, que celebraremos na sexta-feira, dia 13 de setembro, exortou: “Não te envergonhes de tão grande bem, se não queres que também Cristo se envergonhe de ti quando vier na sua glória e o sinal da Cruz aparecer mais luminoso que os próprios raios do sol”. A Cruz, portanto, é central na vida de todo cristão e é falso um cristianismo sem ela.

 

Padre Dilmo Franco, reitor do Seminário Interdiocesano São João Maria Vianney, explicou que a Cruz tem dois sentidos: “para nós, cristãos, a Cruz tem um sentido profundo porque foi por ela que fomos redimidos dos nossos pecados. A Cruz mostra o melhor e o pior: o pior no sentido de que o homem é capaz de matar e crucificar o Filho de Deus, mas, ao mesmo tempo, na Cruz temos a maior prova do amor de Deus por nós, como está no Evangelho de São João: ‘Deus amou tanto o mundo que enviou o seu Filho único para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna’ (Jo 3,16)”.

 

A Cruz é sinal de salvação, conforme padre Dilmo. Ele disse que, embora algumas religiões cristãs optem por usar a Cruz sem o crucificado, para nós, católicos, o seu sentido maior é dado por Cristo. “A Cruz, como instrumento de tortura, não é cultuada por nós, mas é venerada porque o Filho de Deus, o nosso Salvador, a banhou com o seu sangue e é por isso que celebramos a Festa da Exaltação da Santa Cruz.” O entrevistado usou o Evangelho para justificar que o sentido da Cruz é, portanto, a Ressurreição de Cristo: “Jesus nos disse: ‘Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, cada dia, e siga-me’ (Lc 9,23). A Cruz é, então, para nós, esse sinal de seguimento”, afirmou.

 

História

Quanto à celebração da Exaltação da Santa Cruz, no dia 14 de setembro, padre Dilmo explicou que não foi uma data escolhida por acaso. Segundo ele, numa luta entre romanos e bárbaros, após estes terem invadido Roma e levado um pedaço da Cruz, no ano de 622, o imperador Heráclio tentou fazer um acordo de paz, mas os invasores persas responderam dizendo que os romanos não teriam paz enquanto não adorassem o sol, em vez de um homem crucificado. Diante disso, Heráclio pediu a proteção de Deus, rezou, lutou contra os persas e venceu. “O dia 14 de setembro foi a data em que o pedaço do lenho da Cruz foi reintroduzido na Igreja e, a partir daí o Dia da Santa Cruz, quando houve essa conquista que não foi por força deles, mas por força de Deus”, contou.

 

Sentido Antigo

Antes de Cristo, a Cruz tinha um sentido totalmente oposto ao que ele deu com a sua crucificação. Os dois paus cruzados, explicou o entrevistado, “eram utilizados pelos romanos para crucificar os criminosos que ficavam suspensos, e queria dizer rejeitados pelo céu e rejeitados pela terra, nem sepultados e nem santos, suspensos ali, para serem comidos e devorados pelas aves de rapina; e Cristo é colocado nesta dimensão, o pior dos castigos dado a ele”.

 

Sentido Novo

No dia a dia da caminhada cristã, a Santa Cruz é muito importante. Padre Dilmo destacou que no dia 14 de setembro, quando a Igreja exalta a Santa Cruz, nós, na verdade, a glorificamos. “Santo Agostinho disse: ‘bendito o pecado que nos trouxe tão grande Salvador’ e nós podemos parafraseá-lo e com ele dizer: bendita a Cruz que nos trouxe nosso redentor, ou seja, bendita a Cruz que acolheu a alma de Cristo e causou a sua morte, mas nos proporcionou a maior das maravilhas, que é a Ressurreição. Cabe a nós, então, olhar a Cruz, exaltando-a e dizendo: a Cruz não tem a última palavra, a última palavra é a Ressurreição. Ela é uma ponte para a Ressurreição”, explicou o formador.

 

Nossa Senhora das Dores

“Faze, ó Mãe, fonte de amor, que eu sinta em mim tua dor, para contigo chorar. Faze arder meu coração, partilhar tua paixão e teu Jesus consolar” (Liturgia das Horas, Hino das Laudes, Memória de Nossa Senhora das Dores)

O dia 15 de setembro foi colocado propositalmente no calendário romano porque, com Maria aos pés da Cruz, temos o cumprimento da profecia, quando Jesus diz a ela: “Mulher, eis o teu filho... Depois diz ao discípulo: Eis aí tua mãe!” (Jo 19,26-27). Conforme o entrevistado, esse episódio cumpre a profecia de Simeão: ‘uma espada transpassará a tua alma!’ (Lc 2,35). “Maria é corredentora, no sentido de que ela viveu com Cristo e sofreu tudo o que ele sofreu. Logo após a Exaltação da Santa Cruz, celebramos Nossa Senhora das Dores, no dia 15, porque aquela Cruz foi as dores de Nossa Senhora, mas, neste momento, celebramos as dores de Maria como peregrinos, ou seja, Cristo viveu o tempo dele, Maria viveu o tempo dela. Então, agora, com Maria, nós somos chamados a viver as nossas dores, esperando viver a Exaltação final também”, concluiu.

 

Fúlvio  Costa