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08/03/2019

Serviço Pastoral dos Migrantes

“A solidariedade é a única resposta sensata” (Papa Francisco)

Serviço Pastoral dos Migrantes - Notícias - Arquidiocese de Goiânia

 

Serviço está presente na Rodoviária de Goiânia, atendendo diariamente, desde o ano 2000.A Missão tem o objetivo de atender, acolher, escutar e dirigir uma palavra amiga e em consonância com os valores do Evangelho, bem como encaminhar as pessoas em situação migratória

 

Há 19 anos, o Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) atua na Arquidiocese de Goiânia. No Terminal Rodoviário da capital, conta com um espaço físico, em que oferece atendimento e acolhimento aos migrantes em situação de risco, para diminuir o seu sofrimento e propiciar a ajuda possível dentro de suas limitações.

O trabalho é desenvolvido por meio de diversas atividades: encaminhamento para casas de acolhida e albergues, fornecimento de alimentos e roupas, compra de passagens para voltar à terra natal ou tratamento médico e, também, a escuta atenta de uma palavra amiga, de acordo com os valores evangélicos.

 

O serviço é oferecido de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h, com a colaboração de seis voluntárias, que são religiosas e leigas, que se dedicam a ajudar o próximo. Os atendimentos são realizados no guichê da pastoral junto às plataformas de embarque de modo totalmente orgânico, ou seja, as pessoas se aproximam por livre e espontânea vontade.

Todos são atendidos sem qualquer tipo de ressalva ou discriminação. Atuam diretamente no SPM, na Rodoviária de Goiânia, as seguintes congregações religiosas: São Carlos Borromeu (Scalabrinianas), da qual a coordenadora arquidiocesana da pastoral, irmã Glória Dal Pozzo, faz parte; a Congregação das Irmãs da Caridade de Montreal e das Irmãs Vicentinas.

 

Missas

Mensalmente, o bispo auxiliar da Arquidiocese de Goiânia, Dom Moacir Silva Arantes, preside a Santa Missa no Terminal Rodoviário, possibilitando às pessoas em trânsito alimentarem-se da Eucaristia e fortalecerem a esperança e a fé, para que, em sua jornada, encontrem uma resposta humana e cristã para suas necessidades, com a proteção de Deus.

As celebrações acontecem no embarque leste ao lado do Box 24, sempre ás 15h.

Datas: Março – dia 20 /Abril – dia 24// Maio – dia 22/ Junho – dia 19/Julho – dia 24 /Agosto – dia 21 /Setembro – dia 18 /Outubro – dia 23/ Novembro – dia 20 /Dezembro – dia 11.

Enfrentamento ao tráfico de pessoas

A Pastoral dos Migrantes também atua por meio de ações preventivas e de acolhimento às vítimas do tráfico humano. O SPM é membro do Comitê de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas em Goiás, desde a sua formação, e desenvolve ações preventivas, como a participação na Jornada da Cidadania, da PUC Goiás. Nos três dias de evento, voluntários da pastoral conversam diretamente com a população e entregam material informativo, com o intuito de chamar a atenção para esse crime.

Outra iniciativa que vale destaque é o apoio à Campanha Coração Azul, das Nações Unidas, na última semana do mês de julho, realizando atividades de panfletagem em diversas localidades da cidade de Goiânia, além de ações de informação no posto de atendimento emergencial no Terminal Rodoviário. Na página da Pastoral, no Facebook, também são publicadas informações sobre o tráfico de pessoas. Para seguir a página, basta digitar na busca da rede social a seguinte frase: Serviço Pastoral dos Migrantes – SPM Goiânia.

Outra parceria forte é com o Grupo Inter-religioso que se reúne a cada dois meses. Formado por membros de diversos grupos religiosos, eles desenvolvem promoções, formações profissionais e atividades educacionais junto aos imigrantes que estão em Goiânia.

 

Estrangeiros

Nos últimos anos, conforme irmã Glória Dal Pozzo, coordenadora do SPM na Arquidiocese, cresceu a atividade da pastoral junto aos imigrantes. “O volume de atendimentos aumentou com a chegada dos haitianos, seguida de africanos e, ultimamente, reforçada com os venezuelanos”, destacou a religiosa no relatório da pastoral sobre as atividades realizadas no ano passado. Entre as ações junto a essa população está a promoção de campanhas, visando suprir suas necessidades básicas de saúde como vacinação, em razão de doenças adquiridas no país de origem ou em território nacional, assim como outros trabalhos de prevenção. Em conjunto com o Instituto Federal Goiano (IFG), realiza um curso de língua portuguesa para haitianos, uma vez por semana. “O objetivo é integrá-los e inseri-los socialmente”, disse. Conforme o relatório 2018, os assistidos são cerca 70 alunos que encerraram as atividades no início de dezembro, com uma confraternização que incluiu apresentações culturais e comidas típicas na programação.

 

Testemunho

 São muitas e diversas as histórias das pessoas que procuram a Pastoral dos Migrantes em busca de ajuda. Um casal de paraenses, que morou oito anos em Goiânia,  Irmã Glória Dal Pozzoviveu uma delas. O marido trabalhava como ajudante de pedreiro nesse período em que morou com a esposa na capital e tiveram quatro filhos. No ano passado, porém, ele ficou desempregado e sem o dinheiro para pagar aluguel e sustentar a família, passou dificuldades financeiras, a ponto de alguém denunciar que os filhos passavam fome. Os pequenos foram recolhidos e colocados em abrigo, até mesmo a menor de oito meses ainda em fase de amamentação. Foi nesse momento que a família pediu ajuda à Pastoral para retornar a Marabá (PA).

 

As crianças já haviam conseguido ajuda e foram encaminhadas de volta para a terra natal com uma tia. O casal foi em seguida, com a ajuda de pessoas de boa vontade e da pastoral. “No rosto desse casal, muito sofrimento e dor por não conseguir vencer as dificuldades e precisar voltar à terra de origem sem condições dignas para dar educação adequada à sua família”, contou irmã Glória.

 

Números

Conforme dados do relatório do SPM, em 2018, a pastoral fez 415 atendimentos e 349 com registros em ­ ficha, um aumento de 85,25% em relação ao ano de 2017. Os reflexos desse aumento, segundo irmã Glória, indicam uma intensi­ficação tanto dos fluxos migratórios domésticos quanto da precariedade em que são realizados, expondo os migrantes a uma série de riscos. Nos atendimentos, o aumento médio por ano, tem sido de 31,87%.

Ao longo do ano de 2018, os meses em que houve mais atendimentos foram março, abril, outubro e junho; uma média de 34 atendimentos por mês. Apurou-se que 90% dos atendidos foram homens. No recorte por idade e sexo masculino, 33,44% dos homens atendidos têm de 35 a 44 anos, 25,80% têm de 25 a 34 anos e 18,15% de 45 a 54 anos. A maioria das mulheres atendidas também estão na mesma faixa etária: 38,24% têm idade de 35 a 44 anos, seguido pelas mulheres com idade entre 45 e 54 anos, que corresponde a 14,71%.

Em nível escolar, a maioria dos atendidos tem Ensino Fundamental incompleto, seguidos daqueles que têm o Ensino Médio completo e o Fundamental completo. Os fluxos migratórios que passam por Goiânia procedem principalmente da Região Centro- -Oeste (47,6%), seguida pelas regiões Nordeste (18,6%), Sudeste (18,3%) e Norte (11,2%), respectivamente. Já os seus destinos são o Centro-Oeste (67,9%), o Sudeste (13,2%), o Nordeste (7,4%).

 

 

Prioridade Arquidiocesana

Para o bispo auxiliar de Goiânia e coordenador arquidiocesano de pastoral, Dom Moacir Silva Arantes, a missão da Pastoral dos Migrantes é uma prioridade nesta Igreja particular, uma vez que se trata de um trabalho cujo objetivo é amparar as pessoas e fazer com que cada uma se sinta amada por Deus. “É um trabalho focado na espiritualidade porque todos nós somos peregrinos neste mundo, voltando para a casa do Pai.

Nesse processo, nós precisamos desenvolver em nós a capacidade de ter um projeto de vida, a capacidade de ter um sentido no qual a espiritualidade ajuda a desenvolver. Com a Pastoral dos Migrantes, não queremos ficar empurrando as pessoas de um lado a outro, mas valorizá-las, acolhê-las, fazê-las sentirem-se filhas e filhos de Deus, para que, aonde quer que elas vão, continuem esse desenvolvimento”. Dom Moacir afirmou que a iniciativa pastoral é também voltada para a dimensão social. “Esse trabalho toca um problema social que é a migração, pois as pessoas migram, fugindo da fome, do desemprego, da violência, em busca de novos caminhos e oportunidades. E, toda ação social da Igreja é também uma ação pastoral, porque não somos uma ONG e não fazemos esse trabalho por questões políticas, mas sim por uma experiência de amor a Cristo, vendo assim a figura dele, que passa por nossas vidas, dando-nos a oportunidade de acolher, amar e servir ao próximo”, concluiu o bispo

 

Fúlvio Costa