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03/12/2021

Imaculada Conceição

Pelo sim de Maria a humanidade volta a ter comunhão com Deus

Imaculada Conceição - Notícias - Arquidiocese de Goiânia

 

No dia 8 de dezembro, a Igreja celebra a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria. Lembramos, neste dia, a preservação de Maria do pecado original, a única que foi preservada da mancha do pecado. Essa festa foi introduzida no calendário litúrgico pelo papa Sisto IV, em 28 de fevereiro de 1477. Séculos depois, no dia 8 de dezembro de 1854, o papa Pio IX, na bula “Ineffabilis Deus”, que traduzido para o português quer dizer “Deus Inefável”, proclamou como dogma a Imaculada Conceição de Maria.

 

O Dia da Imaculada Conceição é um dia de preceito, pois celebramos também o início das promessas de Deus. É um dia muito importante para os católicos e em muitos países chega a ser feriado. Para entendermos esse dogma de fé, entrevistamos o Missionário Redentorista,       Ir. Diego Joaquim, que tem formação em Mariologia.

 

O que significa Imaculada Conceição?

 Este é um dogma firmado pela Igreja a respeito de Maria, com a declaração de que Maria foi concebida sem pecado. Ela foi concebida por seus pais de uma maneira especial por vontade de Deus, em vista dos méritos de Jesus Cristo, de quem seria a mãe. Maria foi concebida sem pecado, ou seja, preservada do pecado original. Portanto, todos nós, seres humanos, nascemos com a mancha do pecado e com a tendência para o mal, menos Maria. Maria de Nazaré é o único ser humano que não foi tocado por essa mancha, em vista da sua maternidade divina, em vista da missão de ser a Mãe de Jesus.

 

Onde está firmado esse dogma na Sagrada Escritura?

É importante dizer que não encontraremos, na Bíblia, uma citação que vai, explicitamente, dizer ou afirmar o que dogma está dizendo. Ele é fruto de uma tradição da Igreja, de uma tradição teológica que parte da história da Revelação que se fundamenta na Palavra, mas não teremos citações bíblicas explícitas que vão afirmar que Maria foi concebida sem pecado. No entanto, nós temos duas passagens bíblicas que nos ajudam a entender o ponto de partida da reflexão em torno desse dogma. No livro do Gênesis, no capítulo 3, temos a passagem do diálogo entre Deus, o criador, com a serpente. “Colocarei inimizade entre ti e a mulher entre a tua descendência e a dela” (Gn 3,15). Ou seja, essa mulher não é necessariamente Eva, mas é a nova Eva, Maria. No Novo Testamento, no Evangelho de São Lucas, na passagem da Anunciação, quando o Anjo disse a Maria: “Ave Cheia de Graça o Senhor está contigo” (Lc 1,28), veja que há um complemento. Se antes a inimizade causada pelo mal nos afasta de Deus, agora nós contemplamos a proximidade cheia de graça na comunhão com Deus.

 

O senhor falou que Maria foi concebida sem a mancha do pecado. Isso significa que ela nunca pecou?

No caso de Maria, significa. Há um dogma da Virgindade Perpétua de Maria, que é outro dogma mariano. Afirmamos que Maria foi virgem antes, durante e depois do parto. Ela foi concebida sem pecado e, em sua missão de mãe, ela permaneceu virgem. Não podemos entender isso literalmente somente do ponto de vista sexual, mas temos que entender isso dos pontos de vista teológico e espiritual, ou seja, preservada por Deus do pecado. Ela, em sua liberdade de filha, disse sim a Deus, como vemos na passagem da Anunciação, e foi fiel neste sim durante toda a sua vida. Então, ela foi concebida sem pecado em vista de uma missão escolhida por Deus. Dessa forma pode parecer que ela não teve liberdade. Ela teve liberdade, por isso o dogma da virgindade. Ela permaneceu livre do pecado porque não pecou ao longo da sua vida.

 

Como fazer um paralelo entre Eva e Maria ou entre Maria e Eva?

Nós podemos entender que Eva é esse personagem do início do Gênesis. Representa a humanidade que se corrompeu com mal; e Maria, a humanidade que ao dizer sim a Deus redime-se, refaz-se, reconstrói-se. Precisamos entender que Maria, no Novo Testamento, é o ícone da Igreja que deseja fazer esse caminho de Redenção de Cristo. Mesmo concebida sem pecado, mesmo permanecendo fiel, Maria foi redimida pelo Sangue de Cristo derramado na Cruz. Então, ela reconstrói e participa desse caminho da história da salvação. Portanto, o paralelo que devemos estabelecer é esse: em Eva, a humanidade que se corrompeu pelo mal e, em Maria, a humanidade e a Igreja, que são lavadas no sangue do Cordeiro, colocam-se à disposição de caminhar no Reino de Deus.

 

Era necessário para Deus que Maria fosse imaculada na sua concepção para que pudesse ser Mãe de Jesus?

Sim. Quando a Igreja afirma que Maria foi concebida sem pecado, na verdade ela está louvando a Jesus Cristo. Todos os dogmas marianos, ou seja, todas as afirmações da Igreja a respeito de Maria só podemos compreender a partir dos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo porque ele é Deus, é ele o Redentor. Maria foi concebida sem pecado para ser a Mãe de Jesus, a Mãe de Deus, e Deus, o Todo Santo, não poderia habitar um ventre ou ser manchado pelo pecado. Então, por mérito de Jesus, ela foi preservada do pecado. Não podemos entender o dogma no tempo e no espaço da nossa humanidade, pois fica parecendo que Deus já a tinha preservado do pecado e somente depois Deus pergunta se ela quer ser a Mãe de Jesus. Nesta lógica de tempo estamos falando de realidades teológica e espiritual. Ela foi preservada do pecado para ser a Mãe de Deus, mas ela teve liberdade nesse caminho.

 

 

Marcos Paulo Mota