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26/11/2021

Ano C: Vamos entender o Evangelho de Lucas

Ano C: Vamos entender o Evangelho de Lucas - Notícias - Arquidiocese de Goiânia

 

No próximo domingo, dia 28 de novembro, 1º Domingo do Advento, iniciaremos um novo ano litúrgico da nossa Igreja e refletiremos sobre o Evangelho segundo São Lucas, que chamamos de Ano C. O padre Rodrigo Lacerda, coordenador da Pastoral Vocacional da Arquidiocese de Goiânia, explicou-nos, em entrevista, alguns pontos deste Evangelho.

 

 

1 – Qual é a principal diferença entre os Anos Litúrgicos A, B e C?
A principal diferença dos anos do ciclo dominical é o uso predominante de um dos Evangelhos sinóticos, especialmente nos domingos do Tempo Comum. No Ano A se lê Mateus, no Ano B, Marcos e no Ano C, Lucas.

 

2 – Em que o Evangelho de São Lucas difere dos outros?
O Evangelho de Lucas é o mais extenso dos evangelhos. Uma peculiaridade desse Evangelho é que ele é a primeira metade da grande obra lucana, que inclui também Atos dos Apóstolos. Se somarmos essas duas obras, teremos mais de um quarto de todo o Novo Testamento! As duas obras formam um verdadeiro conjunto e não é possível analisar corretamente uma obra sem levar em conta a outra, já que muitos elementos do Evangelho são preparatórios para a narração de Atos e muitos elementos que ficam “em aberto” em Lucas só podem ser compreendidos à luz deste livro que narra os primórdios da Igreja.Pe. Rodrigo Lacerda

É perceptível que o autor era um homem culto que falava grego, conhecia as Sagradas Escrituras traduzidas para o grego e não foi testemunha ocular de Jesus; 65% do Evangelho lucano têm paralelos em Marcos, mas Lucas tem uma tendência de suavizar ou modificar expressões ou fatos que não seriam considerados respeitosos com Jesus, sua família e os discípulos, além de evitar repetições. Além disso, há trechos que só têm paralelos com Mateus, o que ocorre, possivelmente, porque os dois autores utilizaram a mesma fonte para escrever os seus Evangelhos, que os estudiosos chamam de fonte Q.

 

3 – De que forma São Lucas narra o Evangelho?
A narração de Lucas é muito sofisticada e ele se mostra sensível à cultura greco-romana. Sempre é difícil especificar um leitor ideal de Lucas, ou seja, algum grupo específico que seria o destinatário de seus escritos. Na realidade, mesmo que muitos falem que seu Evangelho fora escrito para cristãos vindos do paganismo, o Evangelho apresenta um caráter de universalidade impressionante, de modo que também os cristãos vindos do judaísmo se sentiriam contemplados. Portanto, seu Evangelho contém uma visão ampla da salvação, destinada a todos os povos pagãos, sem deixar de ser aberta para os judeus.

Essa universalidade é expressa em ideias fortes em Lucas e também nos Atos dos Apóstolos, como a compreensão de uma história da salvação que forma um fio condutor em toda obra lucana e com alguns elementos geográficos muito fortes, como o importante papel que Jerusalém tem em Lucas, onde se começa e termina o Evangelho. Esse papel é evidenciado pela ênfase que Lucas faz à viagem de Jesus para Jerusalém, ocupando praticamente dez capítulos (9,51-19,27), viagem que depois será importante para interpretar as viagens de Paulo em Atos. E a destinação universal do Evangelho é caracterizado por outro elemento geográfico: o papel que Roma parece desempenhar em Atos, sendo o destino final de Paulo em Atos e onde se encerra o relato lucano.

 

4 – O que o senhor destacaria como detalhes que somente Lucas evidencia?
Como Mateus, Lucas tem o que se chama de Evangelho da Infância, dois capítulos inteiros dedicados aos acontecimentos que antecedem a aparição pública de Jesus. E Lucas, diferente de Mateus, enfatiza a perspectiva em relação a Maria (o que também será visto no restante do Evangelho, com uma particular menção às mulheres). Muitos mistérios de nossa fé só se acham narrados nas Sagradas Escrituras nestes dois capítulos, como a Anunciação a Maria, a Visita de Nossa Senhora a Santa Isabel, as circunstâncias do nascimento de Jesus, a sua circuncisão, sua apresentação no Templo e sua primeira manifestação consciente da sua relação com o Pai Celeste aos 12 anos, além de relatos envolvendo a origem de São João Batista. Além desses trechos específicos nos dois primeiros capítulos, no decorrer do Evangelho se acham outros tantos, especialmente ligados à misericórdia de Deus, que ama e chama aqueles que muitas vezes eram desprezados pelos contemporâneos de Jesus, como os pobres e pecadores.
 

São exclusivas de Lucas, perícopes como: As parábolas que evidenciam a misericórdia de Deus, incluindo a do Pai misericordioso (Lc 15); O bom samaritano (Lc 10); o rico e o pobre Lázaro (Lc 16), o fariseu e o publicano que rezam no templo (Lc 18); O relato de Zaqueu (Lc 19). Vale também ressaltar a ampla menção ao Espírito Santo que perpassa Lucas-Atos, em tal intensidade que poderia ser chamado de um “protagonista invisível”.
 

O papel da oração também é importante em Lucas. E ele faz isso mostrando Jesus como mestre de oração, rezando em vários momentos importantes (3,21; 5,16; 6,12; 9,18; 9,28-29; 10,22; 11,1; 22,40-44; 23,34.46). O intuito de Lucas é que a Igreja veja um exemplo em seu mestre, ela que depois aparecerá também orando em momentos decisivos em Atos (por exemplo: 1,24; 6,6; 13,3; 14,23).

 

Marcos Paulo Mota