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08/10/2021

Fé como Obediência e Comunhão

Reflexões sobre a Fé

Fé como Obediência e Comunhão - Notícias - Arquidiocese de Goiânia

Ao iniciar as reflexões sobre assuntos relacionados à fé católica, parece-me importante, como primeiro passo, tratar do tema que será a luz para nossas reflexões: “a fé”. Na meditação de hoje, irei abordar, de forma espiritual e teológica, dois temas do total de cinco, que servem como uma medida razoável para compreensão do assunto: fé como obediência e comunhão.

 

Um tema, abordado há mais de 2 mil anos e que perpetua em tempos contemporâneos, é a relação do homem com a fé e suas anuências na vida de um cristão. São Paulo, em sua segunda carta aos Coríntios, diz: “pois caminhamos pela fé e não pela visão”; também irá citar o autor da carta aos Hebreus que “a fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito daquilo que não se vê” (Hb 11,1). A fé liga o possível – a capacidade humana – ao que é impossível – transcender por ele mesmo – para o homem.

 

A fé não necessita de um aparato humano para que seja definida. Ela se define por si mesma, a partir de sua inevitável interferência na vida do homem. É um alimento que vigora a capacidade intelectual de aproximar ainda mais dos mistérios de Deus. São João Paulo II, em sua Encíclica Fides et Ratio (n. 13), explica que o conhecimento da fé não anula o mistério; torna-o apenas mais evidente e apresenta-o como um fator essencial para a vida do homem: “Cristo Senhor, ‘na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime’ que é participar no mistério da vida trinitária de Deus”.

 

Pelo amor, a fé é acompanhada da esperança e é ela uma das condições que favorece o encontro do homem com a Verdade, como Amor Primeiro.

 

Agora, portanto, permanecem fé, esperança, caridade, estas três coisas. A maior delas, porém, é a caridade (1Cor 13,13).

 

Cinco pontos são importantes para a compreensão da fé: a obediência, a Comunhão, o ato de crer, de confiar e de se entregar à vontade de Deus. Para compreender a fé, é preciso deixar-se adentrar no mistério como um discípulo que se coloca a caminho na confiança de que está sendo guiado por Deus. E quem pode oferecer este caminho de forma clara e efetiva é a Igreja, pois é Ela a coluna da verdade que guarda fielmente a fé que lhe é confiada. 

 

A obediência é uma afirmação de que Deus está em primeiro lugar, de forma que o homem se coloca em total disponibilidade à vontade do Pai. Jesus Cristo nos ensina que a obediência é um modo de se entregar a esta vontade, totalmente livre e consciente. Ele que, “achado em figura de homem, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2,7-8), pode revigorar a obediência do homem, mas somente se o homem permitir, devido a sua liberdade.

 

É impossível falar de uma relação de obediência sem a intervenção harmoniosa da comunhão. O próprio Deus, em virtude de sua revelação e na riqueza do seu amor, fala aos homens como amigos e convive com eles e os convida a admitir à comunhão com Ele. Pela força santificadora e vivificadora do Espírito Santo, a Igreja é conduzida à verdade total que nos unifica na comunhão e no ministério, de forma que, ao participarmos do corpo do Senhor, na fração do Pão Eucarístico, somos elevados à comunhão com Ele e, deste modo, tornamo-nos, todos, membros desse corpo sendo individualmente membros uns dos outros.

 

Vós ouvistes o que vos disse: Vou e retorno a vós. Se me amásseis, ficaríeis alegres por eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que eu. [...] Mas o mundo saberá que amo o Pai e faço como o Pai me ordenou (Jo 14,28-31).

 

Só obedece quem consegue compreender a realidade da comunhão, expressada nas alianças do Antigo Testamento e devidamente vivida por Jesus. Quem ama obedece e quem obedece é livre para viver em comunhão.

 

No próximo texto das reflexões sobre a fé católica, irei tratar dos outros três pontos importantes para a compreensão do tema: o ato de crer, de confiar e de se entregar à vontade de Deus.

 

Que Deus o abençoe no amor da Mãe Aparecida!

 

Pe. Vilmar Barreto