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03/09/2021

História da Igreja em Goiás

A participação da Igreja Católica na fundação da nova capital de Goiás

História da Igreja em Goiás - Notícias - Arquidiocese de Goiânia

A década de 1930 em Goiás foi marcada por um marco desenvolvimentista, a saber, a criação da nova capital, Goiânia, fomentada por Pedro Ludovico Teixeira. Inicialmente, Dom Emanuel Gomes de Oliveira, arcebispo de Goiás, foi convidado para presidir a comissão que deveria escolher o local da nova capital. Essa foi uma estratégia de Pedro Ludovico para minimizar as reações contrárias ao projeto. O prestígio do bispo seria elemento favorável para a causa que Pedro Ludovico defendia: a mudança da capital. Ao convite feito pelo interventor, Dom Emanuel deu seu parecer positivo, pois a Igreja interessava-se em ocupar esse cargo de tamanha importância, que, além de um valor político, tinha, também, um valor simbólico.

 

Como Dom Emanuel já tinha transferido a sua residência para Bonfim (atual Silvânia), desde 1926, e fazia grandes investimentos na cidade, com o cargo de chefiar a comissão, quis interferir para que Bonfim fosse o local escolhido para a instalação da nova capital. A comissão, chefiada por Dom Emanuel e Colemar Natal e Silva, indicou quatro cidades: Bonfim, Pires do Rio, Ubatan e Campinas. Dom Emanuel posicionou-se para que fosse escolhida Bonfim, mas Pedro Ludovico preferiu Campinas, por ser a região central na parte mais povoada do Estado. Isso gerou um mal-estar entre o bispo e o interventor do Estado, situação evidenciada pela ausência do bispo nas duas primeiras missas celebradas em Goiânia. A primeira, em 27 de maio de 1933, foi celebrada pelo padre redentorista de Campinas, Pe. Conrado Kolman, e a segunda celebrada por Pe. Agostinho Polster, no lançamento da pedra fundamental da nova cidade, em 24 de outubro. Dessa vez, a ausência do bispo foi justificada por estar no Rio de Janeiro. Dom Emanuel só veio celebrar em Goiânia dois anos depois, no lançamento da pedra fundamental da Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, em 24 de maio de 1935, pois lá seria a futura catedral da nova cidade.

 

Pedro Ludovico não queria a nova capital à sombra da Igreja, pois seu desejo era uma política de viés secularizado, que se preocupasse com o desenvolvimento econômico e social e que pudesse ser governada por princípios laicos, advindos da razão e não da religião. Esse acontecimento causou um “congelamento” nas relações entre Dom Emanuel e Pedro Ludovico, fazendo com que o bispo se exilasse de Goiânia, ficando em Bonfim. E isso é externalizado pela não transferência do bispado para a nova capital, pois Dom Emanuel faleceu no ano de 1955, em Bonfim.

 

A partir de 1935, esse mal-estar passou a ser amenizado, resultando numa discreta reaproximação entre o bispo e o interventor. Pois, em nível nacional, por meio da Constituição de 1934, houve certa aproximação entre Igreja e Estado, período que ficou conhecido como restauração católica. A missa de lançamento da pedra fundamental da nova Catedral Nossa Senhora Auxiliadora de Goiânia demonstrou isso. Durante a missa, Pedro Ludovico esteve ao lado de Dom Emanuel, o que confirmou, de maneira simbólica, a reaproximação para uma colaboração mútua entre os dois poderes. Para essa celebração, o interventor mandou que buscasse Dom Emanuel num carro oficial do Estado e, logo após a missa, ofereceu um almoço no palácio para o bispo e sua comitiva. Cuidado que demonstrou mais uma vez seu apreço e proximidade, com sinais visíveis de um projeto maior de colaboração entre Igreja e Estado.

 

Fonte: Arquivo do Instituto de Pesquisa e Estudos Históricos do Brasil Central (IPEHBC)

Pe. Maximiliano Costa
Mestre em História