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14/12/2020

Série Oração do Cristão

“Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz” A oração simples

Série Oração do Cristão - Notícias - Arquidiocese de Goiânia

“Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz; Onde houver ódio, que eu leve o amor...”

 

Giovanni di Pietro di Bernardone, mais conhecido como São Francisco de Assis, nasceu no ano de 1182, faleceu em 3 de outubro de 1226 e foi canonizado em 16 de julho de 1228 pelo papa Gregório IX. Dentro da liturgia católica, sua festa acontece em 4 de outubro e ele é, na maioria das vezes, identificado como o padroeiro dos animais.

 

Falar de Santo Francisco de Assis é fazer referência a um dos santos mais conhecidos da Igreja Católica Apostólica Romana, assim como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino ou ainda Santa Teresinha do Menino Jesus. Ao mesmo tempo que sua fama ultrapassa gerações entre os séculos, também frases, situações e até mesmo orações são identificadas como de sua autoria, sem ao menos que ele redigisse ou pronunciasse uma só linha desses textos.

 

Umas das orações atribuídas a São Francisco de Assis, denominada hoje de Oração pela Paz, ficou conhecida no início do século XX e era intitulada de Oração Simples ou Oração de Invocação ao Sagrado Coração de Jesus. Christian Renoux, historiador francês, durante suas pesquisas literárias, afirma que a composição dessa oração remete ao ano de 1912, sendo publicada pela primeira vez em uma revista francesa chamada La Clochette.

 

É preciso ressaltar que, entre os anos de 1914 a 1918, o mundo sofria com a Primeira Guerra Mundial, centrada especialmente na Europa, terminando com mais de dez milhões de mortos. Diante dessa catástrofe humana, a Oração Simples se revela como a Oração pela Paz. A mensagem, de letra descomplicada e que inicia falando de paz, ganhou força durante essa guerra e, possivelmente, a pedido do papa Bento XV a oração foi publicada, no dia 20 de janeiro de 1916, na primeira página do “L’Osservatore Romano”, um jornal diário da Cidade do Vaticano que relata as atividades e os eventos que ocorrem na vida da Igreja.

 

É bastante coerente que, em tempos de guerra, a Igreja tenha assumido a bandeira da paz, de forma especial em uma época que a comunicação impressa era uma forma de comunicação em massa.

 

De acordo com pesquisas, o capuchinho Étienne de Paris, diretor da Ordem Terciária Franciscana, entendendo que a Oração Simples ou Inovação ao Sagrado Coração de Jesus era um apanhado espiritual, textual e literário que identificava perfeitamente com o carisma e a espiritualidade franciscana, teria requisitado que fizessem imagens impressas de São Francisco com a oração no verso.

 

A oração tem um forte teor teológico, ainda que o texto, em nenhum momento, apresente, de forma explícita, os nomes de Jesus, Deus ou Espírito Santo. Inconfundivelmente, aponta títulos messiânicos de Jesus em dois momentos: Senhor; Ó Mestre.

 

Na perspectiva bíblica, todos os versos da oração estão repletos de fragmentos que podem ser encontrados no Evangelho, por exemplo, “Fazei de mim um instrumento de vossa paz” (cf.  Is 52,7; Mt 5,9), ou ainda nas demais cartas do Novo Testamento, “e é morrendo que se vive para a vida eterna” (cf. Fl 1,21; Rm 6,23).

 

No prisma da espiritualidade, o texto apresenta uma dualidade, o jogo do confronto entre a lógica humana e a lógica divina, em que a dialética do Senhor e Mestre sobressai ao modelo do comportamento desvirtuado da humanidade. A oração é uma súplica que remete à vigilância e à conversão, tendo como fim último a mudança de atitude em vista do Reino dos Céus.

 

Por todos esses motivos, não é difícil atribuir a oração a São Francisco de Assis, pois, de fato, ele viveu heroicamente e de forma radical todas as virtudes suplicadas na Oração pela Paz. O pobrezinho de Assis foi instrumento de paz, levou o amor, soube perdoar e uniu multidões por causa de Jesus. São Francisco foi um valente na fé, expositor da verdade, e sinal de esperança em tempos de desespero. Irmão Francisco carregou em si mesmo a marca da alegria e da luz de Cristo. Por isso, foi humilde o suficiente para consolar, compreender, amar, doar-se, perdoar e, como prêmio de ter sido um bom soldado de Cristo, ser merecedor da vida eterna.

 

Pe. Vilmar Barreto