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14/09/2020

160 anos formando sacerdotes para a Igreja

Entre cruzes e ressurreições, Seminário Santa Cruz conseguiu terreno fértil em Goiânia

160 anos formando sacerdotes para a Igreja - Notícias - Arquidiocese de Goiânia

Nesta segunda-feira, 14 de setembro, a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz. Antiquíssima na Igreja, a festa tem reflexões profundas na teologia. Estima-se que tenha surgido no século V, em Jerusalém. Era celebrada, em Roma, no dia 3 de maio a chamada “Invenção”, que quer dizer, “o Encontro da Santa Cruz”. A unificação das duas festas aconteceu em 1960. Muitos santos da Igreja dedicaram-se a estudar a Santa Cruz e a ela prestar veneração. “A cruz é o sinal dos crentes e o terror dos demônios”, dizia São Cirilo de Jerusalém. Ele também dizia que ela é “uma grande proteção: gratuita, por causa dos pobres; fácil, por causa dos fracos”. Já São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja, que celebramos neste domingo, 13 de setembro, exortou: “Não te envergonhes de tão grande bem, se não queres que também Cristo se envergonhe de ti quando vier na sua glória e o sinal da Cruz aparecer mais luminoso que os próprios raios do sol”. A Cruz, portanto, é central na vida de todo cristão e é falso um cristianismo sem ela.

 

A Cruz é central na vida de todo cristão e é falso um cristianismo sem ela

Na Arquidiocese de Goiânia, a Festa da Exaltação da Santa Cruz ganha um sabor ainda mais especial porque aqui se encontra o Seminário Propedêutico Santa Cruz. Casa de formação de sacerdotes que abriu suas portas no século XIX, em Vila Boa (Cidade de Goiás), antiga capital da província e do estado de Goiás. O seminário também passou por Ouro Fino (MG), Silvânia e Anápolis até encontrar terreno fértil e duradouro em Goiânia. Mas o que levou o seminário a esse período de itinerância? Os fatores são muitos, conforme pesquisa realizada pelo padre Pedro Mendonça Fleury Curado, formador do Ano Propedêutico do Seminário Santa Cruz. “Cinco vezes teve de fechar as portas, ora por falta de dinheiro, ora por falta de formadores, ora por falta de vocações. Várias vezes sofreu com o poder público tentando tomar para si suas propriedades, fruto de um traumático e mal-assimilado fim do regime de padroado. Várias vezes teve de mudar de cidade, ora por problemas financeiros, ora por incompreensões eclesiais e políticas”, comentou o formador. Ele destacou ainda que “não poderia ter um nome melhor este Seminário Santa Cruz. Morte e ressurreição são uma constante nesta instituição.”

 

Os sinais de ressurreição também estão bastante presentes nestes longos anos de história. “Ao lado dos sinais de Cruz, não faltam os de ressurreição. Tantos são os testemunhos do amor preferencial dos bispos pela formação dos futuros pastores, com muitos e extraordinários esforços. Ao menos três residiram no seminário, todos fizeram grandes sacrifícios financeiros. Diante da escassez de sacerdotes, de tantas comunidades sem um pároco residente, Dom Fernando e Dom Washington, no exercício do ministério de arcebispo, chegaram a assumir o ofício de reitor, sacrificando tempo e energia na esperança de poder oferecer bons pastores para o Povo de Deus. Ao lado disso, também não faltaram e não faltam as manifestações de apreço dos demais fiéis, que tantas vezes acudiram às necessidades do Seminário, recebendo seminaristas até mesmo para refeições cotidianas – período de 1917 a 1923, em Goiás – ou cedendo suas casas – Dona Joaninha, em Silvânia, de 1936 a 1940”, relatou padre Pedro.

 

Embora a história do Seminário Santa Cruz seja rica e cheia de percalços, essa casa de formação ainda é pouco conhecida pela maioria das pessoas. Suas atuais instalações estão na Cidade da Comunhão (CPDF), localizado no Jardim das Aroeiras, em Goiânia. É lá e nos outros dois seminários: São João Paulo II (Menor) e Interdiocesano São João Maria Vianney (Maior) que são formados humana, espiritual, intelectual e pastoralmente nossos sacerdotes.

 

O seminário hoje

Atualmente o Seminário Santa Cruz conta com 12 seminaristas assim distribuídos:

7 - Arquidiocese de Goiânia

2 - Diocese de Barreiras (BA)

2 - Diocese de Ipameri

1 - Diocese de Rubiataba-Mozarlândia

Pe. José Luiz da Silva é o reitor do Seminário Interdiocesano São João Maria Vianney e do Seminário Santa Cruz. O primeiro é seminário maior (filosofia e teologia) e o segundo é da etapa do Propedêutico.
 

Pe. Pedro Mendonça Fleury Curado é o formador do ano Propedêutico, no Seminário Santa Cruz.

Integram ainda a comunidade padre Adnilson Pedro Gomes, que é coformador do Propedêutico, além de administrador da Paróquia São João Evangelista; mons. Lino Dalla Pozza e o diácono Fênykis de Oliveira, que está em estágio pastoral.

 

Apresentamos, a seguir, um breve relato do padre Pedro sobre a dimensão formativa do Seminário Santa Cruz.
 

A formação sacerdotal visa criar no candidato uma especial relação pessoal com a pessoa de Jesus Cristo e ao seu mistério pascal, de modo a prepará-lo para fazer uma boa oferta de si mesmo na ordenação presbiteral e em toda a sua vida, em favor da Igreja. É particularmente interessante, portanto, que o coração da Igreja diocesana tenha estampado, em sua fisionomia histórica, a caridade, o sofrimento e o renascimento cristãos.
 

Hoje, o Seminário Santa Cruz está trilhando o caminho retomado em 2008, procurando ser uma boa casa de formação para seus candidatos, que chegam cada um com sua própria história e contexto de fé e cultura. Essa parte da história, contudo, deverá ser contada no futuro.
 

A etapa do Propedêutico visa, sobretudo, ser um tempo de amadurecimento humano e espiritual, a partir de uma profunda experiência comunitária. Aqui, os seminaristas podem fazer uma experiência mais intensa da Igreja, a partir de uma comunidade concreta, com a qual se convive dia e noite, estreitamente ligada ao bispo, pai e pastor. Alegramo-nos pelo fato de nossos seminaristas estarem num seminário que compartilha, há 160 anos, com a maioria de nossas comunidades e de nossos fiéis, a experiência de ser tocados e até feridos pela história, mas que sempre se reergue pela graça de Deus e pelo coração generoso de tantos homens e mulheres.
 

Fatos históricos do Seminário Santa Cruz – 1860 a 2020
(Pesquisa do Pe. Pedro Mendonça)

1860 – Seminário Santa Cruz é criado sob o decreto imperial de Dom Pedro II, em 3 de março. A aprovação da Assembleia Legislativa aconteceu dois anos antes, em 1858. O nome do seminário é uma homenagem ao autor do projeto, Felipe Cardoso de Santa Cruz.
 

1872 – Inauguração do seminário, no dia 6 de janeiro, por Dom Joaquim Gonçalves de Azevedo, terceiro bispo de Goiás, na Cidade de Vila Boa de Goiás, com 38 candidatos.
 

1879 – Acontece o primeiro fechamento do seminário por falta de pagamento dos professores.
 

1880 – O seminário reabre as portas e alcança grande progresso.
 

1894 – Dom Eduardo muda-se com o seminário para Uberaba (MG), com aprovação do Núncio Apostólico, deixando Vila Boa de Goiás, em 24 de junho. Foi instalado no prédio do Colégio Uberabense, no Alto das Mercês. Nesse mesmo ano volta a fechar as portas.
 

1909 – Volta a abrir as portas com quatro candidatos. Dessa vez funcionando em Ouro Fino (MG), com formadores da Diocese de Mariana.
 

1913 – Hermes da Fonseca assina Decreto, devolvendo à Mitra Diocesana o prédio do seminário situado na Vila Boa de Goiás, no antigo solar de Dom Francisco.

 

1914 – Padres do Verbo Divino assumem o seminário.

 

1915 – Seminário recebe reconhecimento federal de instituição de ensino.

 

1921– Morre Dom Prudêncio, sexto bispo de Goiás. Mesmo após tantos esforços, havia ordenado somente um padre saído do Seminário Santa Cruz.

 

1923 – Posse de Dom Emanuel Gomes de Oliveira, sétimo bispo de Goiás. Encontra penúria financeira. Os seminaristas tomavam refeições em casas de famílias generosas. Os padres do Verbo Divino decidem deixar o seminário e a diocese. Fecha-se o seminário e os seminaristas são enviados para o Seminário de Mariana (MG). Do grupo, chegaram ao sacerdócio, entre outros, o futuro Dom Abel Ribeiro Camelo.

 

1936 – Dom Emanuel transfere seminário para Bonfim, hoje Silvânia, onde então havia a estação final da estrada de ferro. Funcionou inicialmente na casa de dona Joaninha.

 

1941 – Inauguradas novas instalações do Seminário em Bonfim. Segue um período de florescimento na formação sacerdotal. Por algum tempo, funcionaram, no seminário em Silvânia, também os estudos filosóficos. Dessa etapa de Silvânia podem se destacar os seguintes seminaristas: Dom Antonio Ribeiro (segundo arcebispo de Goiânia), Dom José Chaves (segundo bispo de Uruaçu-GO), mons. Aldorando Mendes; padre Geraldo Torres, entre outros.

 

1950 a 1955 – Seminário tem como reitor o padre Antonio Ribeiro de Oliveira, o futuro Dom Antonio.

 

1956 – É criada a Arquidiocese de Goiânia.

 

1958 – Dom Fernando Gomes, primeiro arcebispo de Goiânia anuncia, em sua primeira carta pastoral, a construção das novas dependências do seminário como uma de suas três prioridades.

 

1961 – Seminário é fechado em Silvânia.

 

1962 – Seminário funciona em Anápolis, cidade então pertencente ao território da Arquidiocese, nas dependências do Colégio São Francisco.

 

1963 – Encerram-se as atividades do Seminário Santa Cruz. Os seminaristas são enviados para o Seminário da Arquidiocese de Ribeirão Preto, em Brodowski (SP).

 

1964 – Seminaristas do ginásio retornam a Goiânia, residindo inicialmente na região do “palmito”, próximo ao Setor Novo Mundo e, depois, nas dependências construídas para esse fim. O complexo, hoje denominado Centro Pastoral Dom Fernando, teve com reitor o padre Alberto Mendes e como formador o padre Aldorando Mendes dos Santos. Essa experiência perdurou até 1968, quando houve turbulências culturais.

 

1968 – O ano que não terminou, como alguns o chamam, veio com turbulências culturais e eclesiais que atingiram também o seminário. Houve verdadeira debandada de seminaristas, registrada em versos dramáticos de Dom Fernando. O resultado foi mais um fechamento do seminário.

 

1976 – Reabertura do Seminário Santa Cruz, como seminário maior, procurando utilizar novos métodos formativos, a partir das reflexões pós-conciliares. Funcionava no primeiro andar do Edifício Dom Abel, na rua 19, Centro. O próprio Dom Fernando, diante da dificuldade de encontrar sacerdotes aptos e disponíveis, assume o ofício de reitor até 1980, vivendo no Seminário.

 

1980 – São ordenados os dois primeiros padres dessa nova experiência, padre Moacir Bernardino da Silva e padre José Vicente Barboza. Este permanece no seminário como reitor, contando com a presença paterna de Dom Fernando, que reside no seminário até sua morte.

 

1983 – Seminário Santa Cruz passa a funcionar nas dependências antes destinadas ao Centro de Treinamento de Líderes, na atual Cidade da Comunhão.

 

1985 – Falece Dom Fernando, após ter ordenado oito presbíteros fruto da nova experiência do Santa Cruz.

 

1986 – Posse de Dom Antonio Ribeiro de Oliveira; aquele que anteriormente foi aluno e reitor do seminário tornou-se o segundo arcebispo metropolitano. Prossegue o projeto formativo estabelecido por Dom Fernando, acompanhando de perto a vida do seminário. Dom Antonio ordena 28 presbíteros oriundos do Seminário Santa Cruz.

 

2002 – Posse de Dom Washington Cruz, terceiro arcebispo de Goiânia.

 

2005 – Após um período em que o próprio arcebispo assumiu a função de reitor, por decisão unânime dos bispos interessados, os seminaristas de Goiânia passaram a integrar o Seminário Interdiocesano São João Maria Vianney, existente em área contígua desde 1983. O Seminário Santa Cruz ficou mais uma vez fechado, aguardando os trabalhos preparatórios da elaboração de um projeto pedagógico para o Ano Propedêutico, que começaria a ser vivenciado em suas dependências. Nesse mesmo ano, surgiu como instituição autônoma o Instituto de Filosofia e Teologia Santa Cruz, fruto da experiência dos últimos anos do Seminário Santa Cruz. Esse instituto é dedicado à formação dos futuros presbíteros das dioceses da Província Eclesiástica de Goiânia, em relação estreita com a PUC Goiás.

 

2006 – Começa a idealização de ampla reforma. Os seminaristas são encaminhados ao Seminário Maior Interdiocesano São João Maria Vianney.

 

2008 – Reforma tem início em cinco etapas, sendo que a última delas se deu com a construção da capela. No mesmo ano o seminário reabre, funcionando agora como etapa Propedêutica da formação, em estreita ligação com o Seminário Maior São João Maria Vianney. Desde então, os dois seminários possuem uma mesma direção colegiada, composta por um Conselho de Formadores presidido por um único reitor, com um projeto pedagógico integrado. No Seminário Santa Cruz reside o presbítero responsável pela turma, enquanto o reitor e os demais formadores residem no Seminário Maior. Cada formador assume algumas tarefas no Santa Cruz e se reveza na presidência da Santa Missa.

 

2017 – Seminário celebra 157 anos com 12 jovens seminarista no Ano Propedêutico. Dom Washington Cruz abre o Jubileu dos Seminários e celebra a dedicação da capela.

 

2020 – Seminário Santa Cruz celebra 160 anos. Somente pela fé e pela bravura de tantos homens e mulheres foi possível acreditar neste projeto que já formou tantos e deverá formar muito mais pastores para a nossa Igreja. Nesta data tão importante, pedimos a oração de todos os fiéis pela formação dos nossos sacerdotes.
 

Depoimentos

O Seminário Santa Cruz é, em primeiro lugar, sinal do amor de Deus por mim. Deus me chamou a responder ao seu amor por meio da doação total da vida e, para tanto, preparou o Seminário Santa Cruz para mim e para quantos mais ele quiser chamar. Nesta casa, despertou e estreitou meu vínculo com ele mesmo, pela oração e pela vida fraterna. Disso vem a importância desse seminário em minha vida: é um lugar onde se realizou, de modo muito especial, o encontro amoroso de Deus comigo. Seminarista Valdeir Gomes Neves, terceiro ano de Teologia

 

O Seminário Santa Cruz foi um grande dom de Deus que se manifestou como oportunidade de quebrar a agitação para encarar com mais seriedade e amplitude o chamado pessoal que Deus me faz. A vida de oração – que dá sentido sobrenatural a uma vida cotidiana comum; que dá sentido ao esforço de disciplina com os estudos e atividades da casa; que torna a convivência com os irmãos mais humana e compreensiva –  é a grande marca que o Seminário Santa Cruz deixou gravada em minha alma e que cultivarei em toda a minha vida. Seminarista Murillo Costa Ferreira, primeiro ano de Filosofia

 

 Fúlvio Costa