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28/07/2020

Bioética, a continuidade do magistério para iluminar diferentes horizontes

Bioética, a continuidade do magistério para iluminar diferentes horizontes - Notícias - Arquidiocese de Goiânia

A Libreria Editrice Vaticana publicou o livro “Os Papas e a Pontifícia Academia para a Vida” que apresenta dentro do contexto das rápidas mudanças da ciência e da tecnologia os pronunciamentos dos papas sobre o assunto. Uma coletânea de Discursos, Cartas e Mensagens que oferece, entre outras coisas, um panorama das iniciativas que têm caracterizado a Pontifícia Academia para a Vida desde seu nascimento, em 1994, a pedido de São João Paulo II, até os dias de hoje.

Cardeal Pietro Parolin escreve o prefácio

O prefácio escrito pelo cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin destaca que são mais de 25 anos marcados pela atenção de três papas, que permitem “acompanhar a evolução progressiva dos muitos temas tratados e a atenção que o Magistério dos Papas tem dedicado constantemente a eles”, lembrando também o tumultuado desenvolvimento do conhecimento científico e da tecnologia que levou “a uma contínua expansão dos aspectos que devem ser considerados para proteger e promover a vida humana”. Os discursos apresentados, explica o Cardeal Parolin, devem ser lidos com base nas Encíclicas e outros documentos dos papas para compreender a densidade da mensagem de cada texto. Para o Secretário de Estado, é também uma oportunidade de agradecer à Academia pelo seu trabalho na delicada fronteira da tutela e promoção da vida em todas as suas fases.

Dom Vincenzo Paglia faz a Introdução

Na Introdução escrita pelo presidente da Pontifícia Academia para a Vida, Dom Vincenzo Paglia ressalta como esta coleção permite captar o profundo vínculo que une esses Documentos. E descreve a contribuição de cada papa:

São João Paulo II

Sem dúvida um dos pensamentos fortes de São João Paulo II era o apelo à integração da pesquisa científica com a ética e também a luz que vem da Revelação Cristã, particularmente diante dos perigos do utilitarismo e da mentalidade da pretensa autonomia absoluta do homem, “como se ele fosse o autor de sua própria vida”. Essencialmente, um humanismo fechado à transcendência. Portanto, é importante, enfatiza Dom Paglia na Introdução, lembrar da ligação entre ética e direito, onde a primeira deve encontrar a segunda e onde emerge que o positivismo do direito está sempre ligado ao relativismo ético.

Bento XVI

Com Bento XVI, sublinha o prelado, há um aprofundamento sistemático desses temas e também a introdução de outros novos temas. Na sua reflexão é central o tema da consciência cristã e a relação entre razão e fé, um traço distintivo de seus ensinamentos. Um vínculo no qual a razão é chamada a realizar um processo de purificação através do diálogo com a fé, tanto que Bento XVI escreveu que foi o próprio cristianismo que criou aquela matriz cultural que “tornou possível na Europa da Idade Média o desenvolvimento do conhecimento científico moderno, que nas culturas anteriores tinha ficado apenas na semente”.

Papa Francisco

Na mesma linha dos ensinamentos de São João Paulo II e de Bento XVI estão também as intervenções do Papa Francisco. A atenção dada na Laudato Si’ à ecologia integral e também aos cuidados paliativos e às implicações ligadas ao desenvolvimento e ao uso da inteligência artificial e da robótica. Também foi importantíssimo o novo Estatuto de 2016 para a Pontifícia Academia para a Vida e, entre os documentos de Francisco, a Humana Communitas, a Carta por ocasião do 25º aniversário da fundação da Academia com a indicação da família e da relação entre homem e mulher como o lugar central de iniciação à fraternidade para toda a humanidade.

 

Entrevista com Dom Vincenzo Paglia

Na mesma linha do ensino de São João Paulo II e Bento XVI estão também as intervenções do papa Francisco, como o contraste à eutanásia e ao aborto. O que lhe impressiona no seu apelo à construção de um humanismo fraterno de indivíduos e povos, sublinhado na Carta Humana Communitas para os 25 anos da Pontifícia Academia?

Dom Vincenzo Paglia: Com o papa Francisco, na esteira do Magistério anterior, o olhar da Academia foi ampliado: o papa pediu primeiro que a Academia servisse a vida humana não apenas no início e no fim, mas em cada momento da existência. Para fazer isso, ele queria cientistas de diferentes disciplinas e de muitas origens culturais e religiosas. Deste mandato surgiram os estudos (e as intervenções do papa Francisco) sobre novos capítulos: refiro-me em primeiro lugar às novas tecnologias – chamadas convergentes – e no impacto que elas têm sobre o desenvolvimento, sobre a qualidade de vida, sobre a melhoria das possibilidades de cuidado para todos e não apenas para alguns. Por exemplo, a robótica ou a inteligência artificial e a introdução de sistemas avançados mudam a relação do homem consigo mesmo e com o meio ambiente. Penso no horizonte da “bioética global”, que exige que ampliemos nossa análise para as transformações trazidas pelo desenvolvimento da ciência e da tecnologia e que verifiquemos o impacto na qualidade de vida humana. Falo do prolongamento da vida humana que ocorreu graças ao progresso da pesquisa e então entram na reflexão tópicos como os cuidados paliativos, questões de fim de vida, o papel da espiritualidade e das religiões no delineamento de um sentido para a vida na era tecnológica A Pontifícia Academia para a Vida é estimulada a desenvolver uma reflexão que leve em conta os desafios em um planeta onde as possibilidades de desenvolvimento, de vida, de uso de tecnologias não são para todos. Um planeta que sofre com a exploração indiscriminada dos recursos causada por um modelo de desenvolvimento que consome e acaba em vez de se preocupar em renovar e dar um futuro a todos. É por isso que a vida, para a Igreja, nunca é entendida abstratamente, ela é declinada em suas diversas fases, em contextos sociais e culturais, e o objetivo profundo é nos ensinar como construir uma Humana Communitas. Um mundo onde a tecnologia está ao serviço dos povos, para o bem comum, e não a humanidade ao serviço da tecnologia.

Debora Donnini – Vatican News

20 de julho de 2020