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24/09/2021

A humanidade fascinante de Jesus

A humanidade fascinante de Jesus - Palavra do Arcebispo - Arquidiocese de Goiânia

Sem dúvida alguma, Jesus era um homem fascinante: demonstra-o, por exemplo, o fato de que uma grande multidão, composta de cinco mil homens, sem contar as mulheres e as crianças, o seguia, em uma região deserta ao longo das margens do lago de Tiberíades, descuidando até da alimentação, contanto que o pudesse escutar (cf. Mt 14,13-21; Mc 6,30-44; Lc 9; Lc 9,10-17; Jo 6,1-13). Talvez, mesmo do ponto de vista físico, Jesus fosse um homem belo, atraente, como demonstra, por nossa inferência, a expressão de entusiasmo de uma mulher, referida pelo evangelista Lucas, que, num dia de improviso, interpretando o entusiasmo da multidão, disse: “Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram” (Lc 11,27).

 

Deviam ser esplêndidos, principalmente, os olhos de Jesus, porque, com frequência, os evangelistas, em particular Marcos, sublinham a profundidade do seu olhar. Assim, Jesus, quando encontrou Simão pela primeira vez, fixou-o com olhar penetrante e lhe pôs o nome de “pedra”, escolhendo-o desde aquele momento como fundamento da sua Igreja (cf. Jo 1,40-42). Da mesma forma fixou o seu olhar afetuoso sobre o jovem rico, manifestando para com ele um profundo sentimento de amor que, no entanto, ficou sem resposta, devido ao jovem ser muito apegado aos próprios bens (cf. Mt 19,16-22). Com o olhar de especial simpatia, conquistou e transformou o coração de Zaqueu (cf. Lc 19,5). Foi suficiente um olhar de Jesus, enquanto se encontrava na casa do sumo sacerdote na espera do processo, para que Pedro compreendesse a enormidade da sua traição e chorasse amargamente (Lc 22,61).

 

Jesus tinha olhos que falavam: de desdenho aos vendedores do templo, de tristeza diante da hipocrisia dos ricos e dos fariseus, de admiração diante da generosidade da viúva, de ternura para com as crianças, de solidariedade para com os sofrimentos dos amigos de Lázaro, de simpatia para com os pobres, os cegos, os pecadores, os leprosos, os doentes.

 

A liberdade interior de Jesus

Jesus impressionava profundamente porque foi um homem verdadeiramente livre e como tal apareceu aos seus contemporâneos. Um homem que não pertenceu a ninguém, mesmo estando sempre a serviço de todos.

 

Livre diante das expectativas do povo que esperava um Messias, libertador da servidão dos romanos. Livre em relação aos próprios familiares, que se preocupavam com a sua saúde e esperavam talvez alguma vantagem temporal pelos seus sucessos. Livre diante dos amigos, como Pedro, que tentou dissuadi-lo de percorrer o caminho da cruz e foi rejeitado com veemência como diabólico e tentador (cf. Mt 16,21-23).

 

Livre diante das autoridades e das instituições romanas e judaicas, da cultura social, política e religiosa do seu tempo, da mentalidade dominante da sua gente. Não se dobrou diante de nenhuma ameaça, não foi capturado por nenhum partido, não sucumbiu diante de nenhuma idolatria ou tradição.

 

 

Trecho da Carta Pastoral “Creio em Jesus Cristo – Meditação sobre o Filho unigênito do Pai”, de Dom Washington Cruz. A carta pode ser lida, na íntegra, em nosso site