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01/03/2021

JEJUM: combate e sentido

JEJUM: combate e sentido - Palavra do Arcebispo - Arquidiocese de Goiânia

“O Espírito conduziu Jesus ao deserto a fim de ser tentado pelo demônio. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome” (Mt 4,1-2)

 

Irmãos e Irmãs

 

Estamos num tempo de treino espiritual, extremamente intenso, nestes tempos quaresmais. Não pensemos que o jejum é aluo do passado, vivenciado por Jesus no deserto e somente naqueles inícios da sua pregação pública. Não. A liturgia é um eterno presente. Nestes quarenta dias e quarenta noites, no hoje da história, Jesus novamente vai ao deserto. E nós todos somos convidados a entrar neste deserto com Jesus. As tentações às quais o Filho de Deus foi submetido são as tentações perante as quais todos somos submetidos: a tentação do ter mais, a tentação do ser mais, a tentação do poder mais.

 

Hoje quero refletir um pouco sobre o que representa o jejum neste tempo quaresmal. O prolongado jejum ao qual Jesus se submeteu é, de certa forma, uma inspiração para os cristãos. Nosso Senhor, no relato de São Mateus, só sentiu fome ao término do jejum. Isso, por si só, educa-nos a entender que uma fome física é substituída por uma fome transcendental, por uma fome mais fundamental, pela fome de fazer a vontade de Deus. Ao jejuarmos, segundo as orientações da Igreja, ficamos mais aptos a fazer uma experiência de entrega amorosa.

 

Este é o verdadeiro sentido do jejum. Tiramos o que não é essencial na vida eterna, o alimento, para que façamos, na vida presente, uma antecipação do céu, quando Deus será tudo em todos. Ele mesmo será o nosso alimento e de Sua glória nos nutriremos. O jejum, assim, ganha seu verdadeiro, autêntico sentido.

 

Por isso, o jejum, muito mais que em seu aspecto ritual e canônico, abre o ser humano para as realidades últimas. Ele conecta a história humana à história da Salvação. Faz-nos semelhantes a Cristo, cujo alimento era fazer a vontade do Pai que o enviou (Jo 4,34).

 

São Basílio Magno, no século IV, afirma que “o jejum foi ordenado no Paraíso”, recordando que o primeiro mandamento dado a Adão foi exatamente este: “Não comas”. E, uma vez ordenado no Paraíso, podemos dizer que o jejum está também ordenado ao Paraíso. Ou seja, de sua experiência o homem se alimenta do maná dos céus, da sacratíssima presença, do enlevo de Deus. Pelo jejum é sucumbido o velho Adão em nós, e podemos nos libertar de toda a desobediência e de todo pecado. E irrompe no homem terrenal a imagem do Novo Adão, Cristo, cada um aberto e disposto a fazer, em tudo, a vontade de Deus.

 

Pelo jejum canta-se um louvor a Deus. Pela recusa consciente do alimento e em meio às orações que orientam um dia de jejum, abre-se o coração do que crê para Deus.

 

Recordo o ensinamento de São Paulo VI de que o jejum se inscreve no chamado a cada cristão, para viver não mais para si, mas para aquele que o amou e se entregou por amor - por fecundo amor, a fim de que o cristão viva também para seus irmãos.

 

Dom Washington Cruz, CP
Arcebispo Metropolitano de Goiânia