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29/09/2020

Contemplando o Mistério de Deus

Contemplando o Mistério de Deus - Palavra do Arcebispo - Arquidiocese de Goiânia

Queridos irmãos e irmãs,

 

Neste domingo, gostaria de refletir com vocês sobre o último passo da Lectio Divina, que é a contemplação. Seguindo os passos anteriores, podemos dizer que, uma vez que alcançamos o momento da oração, poderíamos nos firmar na contemplação, porque cada verdadeira oração é contemplativa. Segundo a tradição da Lectio, a oração desemboca na contemplação, como seu vértice e fruto natural, tempo no qual a Palavra vem degustada no coração.

 

A contemplação não é uma técnica ou algo conquistado a partir de algo externo. É um dom do Espírito, que nasce da mesma experiência da Lectio bem-feita. Contemplar é conhecer Deus com a experiência do coração, é a concentração contemplativa no mistério de Deus. O apóstolo João diria: “Esta é a vida eterna, conhecer a Ti, único Deus verdadeiro, e aquele que enviastes, Jesus Cristo” (Jo 17,3).

Se a leitura, a meditação e a oração são os momentos ativos da Lectio, isto é, aqueles do nosso empenho e da nossa fidelidade quotidiana, a contemplação é o momento passivo da intimidade, no qual a iniciativa diz respeito a Deus. Não se chega à contemplação mediante o exclusivo esforço pessoal ou exercício da vontade. A contemplação é um fruto que se experimenta depois de uma prolongada oração sobre a Palavra. Esse fruto é a presença do Senhor, que suscita em nós estupor, maravilha, olhar claro da realidade com os olhos dos simples, plenos de fé, alegria e paz. A intimidade com Deus, então, é profunda, real e exige novamente o silêncio, porque nada demais se pode dizer. Deus introduz-nos a contemplar o seu mistério, aquele do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

Contemplar a Palavra é esquecer os particulares e alcançar o essencial. Se descobre com o coração a própria vida, o próprio mistério no mistério de Deus, com um olhar que é simplicidade, adoração, conhecimento e experiência de um Pai que nos ama como filhos. Se sente, então, a necessidade de olhar somente Jesus, de repousar nele, de acolher o seu amor por nós, de fazer crescer o Reino de Deus dentro de nós. A contemplação é olhar com olhos de admiração, no silêncio, o mistério de Deus-Pai, de Jesus-amigo e do Espírito-amor. É reencontrar a participação límpida, transparente, da realidade de Deus, própria dos puros, dos simples, dos pobres de Deus. Não é fruto de um carisma especial, nem de um esforço suplementar, nem de êxtase. É deixar o Espírito de Deus agir em nós, conscientes de que tudo é dom de um Pai que é Amor.

 

A contemplação, como resultado da Lectio, é a postura de quem se imerge nos acontecimentos, para descobrir e saborear nela a experiência ativa da Palavra, e se empenha no processo de transformação que a Palavra está provocando no interior da história. A contemplação realiza e coloca em prática a Palavra, produzindo uma saborosa experiência, que antecipa a alegria que “Deus preparou para aqueles que O ama” (1Cor 2,9).

 

Tendo refletido sobre os passos da Lectio Divina, gostaria de encorajar todos os irmãos de nossa Arquidiocese a assumir o compromisso de rezarmos com a Palavra de Deus todos os dias, seguindo possivelmente o método sobre o qual meditamos. Não é tanto uma questão de tempo, que varia de pessoa para pessoa, segundo as possibilidades de cada uma, mas do amor a Deus e do desejo de entrar em comunhão com Ele e de viver com os irmãos uma vida mais profundamente cristã. Coragem, tomemos a Palavra de Deus e com ela encontremos o Senhor que nos espera.
 

Dom Washington Cruz,CP
Arcebispo Metropolitano de Goiânia