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08/09/2020

Ler a escritura sob o impulso do Espírito Santo

Ler a escritura sob o impulso do Espírito Santo - Palavra do Arcebispo - Arquidiocese de Goiânia

Querido irmãos e irmãs,

 

A partir deste domingo, gostaria de refletir com vocês sobre os quatro passos a serem percorridos na leitura orante da Palavra de Deus, através da Lectio Divina. A postura prévia para entrar no caminho da Palavra, ainda que não seja um dos quatro passos, é a invocação do Espírito Santo. Devemos começar nossa oração pedindo a luz necessária para compreender o Senhor que fala. Saber escutar é graça e fruto do Espírito, pois ele é o verdadeiro mestre, o verdadeiro exegeta da Escritura, isto é, aquele que interpreta o texto bíblico, tirando dele o seu significado mais profundo. Somente quem entra em sintonia com o Espírito Santo pode conhecer as riquezas contidas na Bíblia, a profundidade da sabedoria de Deus e encontrar-se com Cristo.

 

Vários são os efeitos dessa invocação do Espírito Santo: libera o leitor de uma interpretação subjetiva e arbitrária e produz, ao invés, o desapego de si mesmo, a pureza do coração, a conversão e a docilidade à Palavra, realidades que tornam o fiel livre para acolher com amor a mensagem de Deus. Determina-se, assim, aquela humildade profunda e aquela docilidade de coração que leva a aproximar-se do texto com uma postura de reverente adoração diante do mistério, fruto de uma sinergia entre vontade humana e ação do Espírito. Para isso, naturalmente, é necessário um clima de silêncio interior, um espaço de deserto e contemplação, posturas que ajudam a acolher o dom da Palavra através do discernimento no Espírito. Podem nos ajudar, nessa oração ao Espírito, palavras espontâneas ou alguns versículos do Salmo 118, que é o salmo, por excelência, da escuta da Palavra.

 

O primeiro momento da Lectio é a leitura do texto sacro, com a qual eu me ponho em escuta daquele que fala, e me deixo transportar ao encontro com a sua Palavra. Isso requer atenção, escuta, porque o escopo é ouvir com os ouvidos e acolher com o coração, assumindo a Palavra com plena disponibilidade, na consciência de dar espaço a alguém: a pessoa viva que me fala e que encontro é Deus mesmo. A Lectio, de fato, busca o encontro com Deus, com a Palavra de verdade e sabedoria.

 

O que significa praticamente ler um texto bíblico? Significa lê-lo e relê-lo, mais de uma vez, também em alta voz, se necessário, sublinhando, com a caneta na mão, a palavra, a frase, a ideia que nos toca. É colocar em relevo as partes mais importantes do trecho: o contexto, os personagens, o ambiente, os sentimentos, as imagens, o dinamismo das ações, os verbos, as passagens paralelas e textos afins, ou como se diz, saber “ler a bíblia com a Bíblia”. Fazer perguntas sobre o texto pode nos ajudar também: quem são os personagens principais e secundários? Quais ações são significativas para o autor bíblico? Onde e quando se desenvolve o episódio? Quais são as imagens e os símbolos usados? Qual é a ideia central ou a palavra-chave do trecho que o autor quer comunicar aos seus contemporâneos? Esse tempo da leitura, portanto, é aquele da busca do sentido literal-histórico da Bíblia, respeitando o texto. A leitura não tem finalidade em si mesma, mas deve ser orientada para a interiorização da Palavra e ao diálogo da meditação.

 

A Lectio Divina pessoal deve ser feita com todo o ser: com os lábios, pronunciando as palavras; com a memória, para fixá-las; com a inteligência, para captar o significado; com a vontade, para pô-la em prática. Os Padres da Igreja diziam que um texto bíblico deve ser assimilado completamente, memorizado e deve se tornar objeto de uma ruminação cotidiana. “Quando o homem começa a ler as Divinas Escrituras – sustentava Santo Ambrósio – Deus retorna a passear com ele no paraíso terrestre”.

 

Gostaria de convidar vocês a praticarem bem esse passo, durante esta semana, até que seja proposto o próximo.

 

Dom Washington Cruz, CP
Arcebispo Metropolitano de Goiânia