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16/03/2020

Um canto de louvor a Deus

Um canto de louvor a Deus - Palavra do Arcebispo - Arquidiocese de Goiânia

Caros irmãos e irmãs,

 

A expressão “Salmos” faz referência ao instrumento musical de cordas, o saltério, geralmente utilizado para a sua entoação. Com o tempo, a palavra “Salmo” passou a corresponder a um canto executado com acompanhamento musical, simultaneamente como expressão da vida e da fé das comunidades. Os judeus os chamavam de tehilim, isto é, hinos sagrados e canções de louvor e adoração a Deus. Na Bíblia, os Salmos formam um conjunto de 150 textos, os quais, já por conta de sua estrutura poética, remontam ao seu uso como forma de oração por meio do canto.

 

A referência aos Salmos como cantos comunitários também pode ser notada a partir de alguns exemplos. Em muitos deles, o primeiro versículo indica o modo de entoação, o instrumento mais adequado para sua execução, a melodia a partir da qual poderia ser cantado. Vejamos o Salmo 4,1, que diz: “Ao maestro do coro. Com instrumentos de corda”. Ou o Salmo 5,1: “Ao maestro do coro. Com flautas”. Conforme testemunho do Papa Bento XVI, em seu livro Louvai a Deus com a arte, é possível afirmar que “a bíblia possui o seu próprio livro de cantos: o Saltério, que não somente é nascido da prática do canto e da música litúrgica, mas contém, na prática, na viva atuação de si, também os elementos essenciais de uma teoria da música pautada na fé e pela fé”.

 

Com sua força de expressão, os Salmos acompanharam a caminhada do povo escolhido desde seus primeiros passos no deserto, ecoando pela boca de Maria, José, Zacarias e, até mesmo, de Jesus, chegando também a nós como fonte privilegiada de oração. As primeiras comunidades cristãs, por exemplo, não possuíam outra referência para o seu canto, chegando até mesmo a proibir o uso de instrumentos musicais quando esses obstruíam a compreensão do que os Salmos tinham a comunicar. Do século VI em diante, embora outras formas de expressão da oração pelas vias da música começassem a se difundir no cristianismo, o livro dos Salmos continuou ocupando lugar privilegiado, especialmente na assembleia litúrgica. Sobre isso, recordando o lugar da Sagrada Escritura na Liturgia, o Concílio Vaticano II salienta a sua enorme importância: “é a ela que se vão buscar as leituras que se explicam na homilia e os Salmos para cantar; com o seu espírito e da sua inspiração nasceram as preces, as orações e os hinos litúrgicos” (SC, n. 24).

 

Não se pode, por isso, desprezar o papel dos Salmos como principal fonte para o canto litúrgico em nosso tempo, sobretudo em sua proclamação ao longo da Liturgia da Palavra, na Missa. Como as demais leituras e o Evangelho, constitui Palavra de Deus, utilizada como forma dialogal de oração. É Palavra que nos chega, herdada da tradição. É também palavra nossa, elevada aos céus como “hinos e cânticos espirituais” (cf. Ef 5,19). Como lembra Santo Agostinho em comentário ao Salmo 149, o convite ao “canto novo” também é dirigido a nós, em comunhão com todos os santos e santas que “exaltam a Deus com seus lábios, exultam em sua glória, são elevados para sua salvação, cantam o cântico novo, proferem o Aleluia com o coração, a boca, a vida”. Com o auxílio dos Salmos, sejamos também nós um canto de louvor a Deus.

 

Convido todos os fiéis a entoarmos em nossas liturgias, seja na Santa Missa ou no Ofício comunitário, os Salmos em louvor ao Senhor. Exorto, sobretudo os responsáveis do canto, a se esmerarem para que este canto seja, por sua beleza e simplicidade, expressão da nossa gratidão ao Senhor, ajudando, assim, nossa Igreja particular a não cessar de render a ele graças.

 

Dom Washington Cruz, CP
Arcebispo Metropolitano de Goiânia