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06/12/2019

É no silêncio que se acolhe a Palavra

É no silêncio que se acolhe a Palavra - Palavra do Arcebispo - Arquidiocese de Goiânia

Caros irmãos e irmãs,

 

O silêncio na Igreja e durante a celebração da Sagrada Liturgia é uma questão de primeira ordem, uma vez que os frutos espirituais da ação litúrgica dependem, não pouco, da correta vivência do “silêncio sagrado”.

 

Deus nunca pode ser reduzido a algo que está, simplesmente falando, ao nosso alcance, como um objeto material. Ele sempre permanece envolvido no esplendor de sua transcendência. Mesmo se, com a encarnação, o Filho Unigênito veio morar entre nós e se entreteve conosco como com os amigos, ele nunca negligenciou a divina Majestade do Pai, a quem mostra uma absoluta obediência adorante. Ele próprio está permanentemente investido nessa majestade e, com frequência, o esplendor que dela resplende irrompe pela sua verdadeira humanidade. Essa majestade do Pai, do Filho e do Espírito Santo exige silêncio e veneração, especialmente na Liturgia Sagrada.

 

A atmosfera de silêncio interior e exterior é próprio de cada celebração litúrgica. De fato, é uma questão de dispor a alma para ouvir a Deus, que fala ao seu povo, de louvá-lo com exultação e receber, de sua misericórdia, aquelas maravilhas da graça, que são os sacramentos. Em última instância, de nos maravilharmos, boquiabertos, diante de sua grandeza que vem ao nosso encontro e que pede para ser acolhido em nosso coração.

 

Por isso, a Igreja prevê: o silêncio preparatório em vista da Celebração, seja para ministros e para os fiéis; o silêncio durante o rito, ao realizar os gestos e pronunciar as orações estabelecidas, a fim de internalizar o conteúdo da Palavra proclamada e dos “sinais sagrados” que ocultam os santos Mistérios; o silêncio após as celebrações para não dispersar imediatamente a intensidade da lembrança interior e, assim, cultivar a união com o Senhor, sobretudo, depois de tê-lo recebido na Eucaristia.

 

Como lembrei em minha Carta Pastoral: “A liturgia, como uma composição musical, tem necessidade de espaço, de tempo, de silêncio, de despojamento de nós mesmos, para que as palavras, os gestos e os sinais nos possam falar de Deus” (O Espírito Santo, a Igreja e a Liturgia, 68).

 

Poderíamos nos recordar sempre das palavras do Pe. Romano Guardini, que afirmava: “Se alguém me perguntasse onde começa a vida litúrgica, eu responderia: com a aprendizagem do silêncio. Sem ele, tudo carece de seriedade, tudo se torna vão...; este silêncio é a condição primeira de toda a ação sagrada. Devemos exercitar-nos no silêncio, para o bem da palavra. Porque a maior parte da liturgia consiste em palavras ditas por Deus ou dirigidas a Deus e elas devem ser imensas, cheias de calma e de silêncio interior. O silêncio abre a fonte interior da qual brota a Palavra” (O Espírito Santo, a Igreja e a Liturgia, 77).

 

 

Nossa última Reunião Mensal deste ano de 2019, além do caráter festivo em preparação para a celebração do Natal de Nosso Senhor, tratará da importância do silêncio na Sagrada Liturgia. Gostaria de convidar vivamente todos os cristãos de nossas comunidades que venham participar deste encontro, para festejarmos a chegada do Menino Deus e aprendermos mais como viver o silêncio diante do seu mistério.

 

Dom Washington Cruz, CP
Arcebispo Metropolitano de Goiânia