Onde voce deseja procurar?

  • Arquidiocese
  • Paróquias
  • Clero
  • Pastoral
  • Liturgia
  • Cursos
  • Comunicação

Você está em:

  1. Home
  2. Arquidiocese
  3. Palavra do Arcebispo
  4. A Beleza da Liturgia - IV

25/01/2019

A Beleza da Liturgia - IV

A Beleza da Liturgia - IV - Palavra do Arcebispo - Arquidiocese de Goiânia

Se quisermos uma liturgia mais “bela”, importa que reflitamos sobre alguns problemas ligados à realização da reforma litúrgica:

1º) A participação ativa. Na primeira fase de execução da reforma, a participação tomou um aspecto principalmente exterior e didático, degenerando, em seguida, frequentemente, numa espécie de participação a todo preço e sob todas as formas. A liturgia não é a soma das emoções de um grupo, nem, muito menos, o espetáculo de sentimentos pessoais. É, sobretudo, um tempo e um espaço para interiorizar as palavras que nela se escutam e os sons que se ouvem, para nos apropriarmos dos gestos que se realizam, para assimilarmos os textos que se recitam e se cantam, para nos deixarmos penetrar pelas imagens que se observam e pelos perfumes que se sentem.

2º) A presidência litúrgica. A qualidade dos sinais exige, sobretudo, a qualidade da presidência da celebração. O que preside perante a assembleia não é apenas olhado, mas é também aprovado e julgado no exercício da função que exerce in persona Christi ou, se se quiser, como “ícone de Cristo”, no Espírito Santo. Entretanto, essa presidência não pode ser exercida sem ter em conta a qualidade da assembleia e sem ser capaz de responder às aspirações do Povo de Deus. Com efeito, quem preside, preside também, de certo modo, in persona Ecclesiae. Fugindo a toda espécie de protagonismo, o padre, modelado pelo autêntico espírito da liturgia, presidirá a Assembleia como “aquele que serve” (Lc 22,27), à imagem daquele de que é o pobre sinal. Também, a qualidade da presidência litúrgica, na sua forma mais alta e mais fecunda, estará muito além de uma simples arte de presidir, de um puro saber-fazer, de modo a tornar-se princípio de comunhão, na consciência interior de que o conjunto dos dons do Espírito Santo se encontra unicamente no conjunto da Igreja.

3º) A beleza e a dignidade do culto. Importa dar a imagem de uma Igreja que celebra, que reza, que vive o Mistério de Cristo na beleza e na dignidade da celebração. Uma beleza que não é apenas formalismo estético, mas que está fundada sobre a “nobre simplicidade”, capaz de manifestar a relação entre o humano e o divino da liturgia. Trata-se do dinamismo da Encarnação: o que o Filho único, cheio de graça e de verdade, fez de modo visível, passou para os sacramentos da Igreja. A beleza deve transparecer a presença de Cristo no centro da liturgia: poderá ser tanto mais evidente quanto mais se possa apreender, nas celebrações, a contemplação, a adoração, a gratuidade e a ação de graças. “Diante dele, o esplendor e a majestade, no seu santuário o poder e a beleza” (Sl 96,6). O salmista não canta apenas a beleza que resplandece na morada do Senhor, mas confessa também: “nobreza e beleza nas suas ações” (Sl 110[111],3).

Não apenas o lugar, mas também a ação, isto é, o gesto, a postura, o movimento, as vestes, devem manifestar harmonia e beleza. O gesto litúrgico é chamado a manifestar beleza, enquanto gesto do próprio Cristo. A liturgia continuará desse modo, graças também à sua beleza, a ser fonte e cume, escola e norma da vida cristã.

 

Dom Washington Cruz, CP
Arcebispo Metropolitano de Goiânia