Sínodo Arquidiocesano

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O que é um Sínodo?

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É uma assembleia de sacerdotes e de outros fiéis escolhidos da Igreja particular, que auxiliam o Bispo diocesano para o bem de toda a comunidade diocesana(CDC, cân. 460).

“A palavra “sínodo” vem do grego sun + hodos e aponta para uma caminhada em conjunto.

Uma caminhada não é um desfile em que cada um se apresenta com toda a sua beleza, querendo chamar a atenção dos outros e ser escolhido como ganhador de um concurso. Numa caminhada as pessoas não competem, vão na mesma direção e têm a mesma motivação.

Uma caminhada também não é uma marcha em que todos andam em filas certinhas, no mesmo ritmo, na mesma cadência, batendo o pé no chão o mesmo instante. Numa caminhada, cada um anda com um passo diferente.

Uma caminhada também não é uma corrida em que o importante é a velocidade. Uma caminhada pode durar dias e, tratando-se de um sínodo, vários anos.

Quando você participa de uma caminhada, você tem a oportunidade de conversar com muita gente porque nem todos caminham no mesmo ritmo. Conversando com pastorais, movimentos, ministérios etc., você expõe seu ponto de vista e acolhe o ponto de vista dos outros. E assim cada um terá condições melhores de opinar sobre aquilo que diz respeito a todos.

Um sínodo tem como objetivo olhar toda a vida de uma diocese e chegar a conclusões, inclusive elaborar normas que visem a maneira mais correta de desempenhar a missão da Igreja. Supõe estudo dos documentos da Igreja e diálogo entre todos os segmentos para descobrir como melhor exercer nossa missão evangelizadora.”

(Mons. João Daiber).

Desta forma, podemos entender o que é um Sínodo:

a) É uma convocação do bispo que exerce sua “episcopé”, em nome de Cristo, Cabeça, Servo e Pastor. A partir da presidência da celebração eucarística, a Assembleia por excelência, o bispo faz uma convocação (“ekklesia”) aos fiéis para redescobrirem o mesmo Cristo, o melhor Mistério que temos e, assim, serem fortalecidos na comunhão e na missão.

Como a Visita Pastoral, o Sínodo é uma mediação privilegiada do mesmo e único governo do Bispo para insistir no contínuo chamado à missão e à renovação de estruturas pastorais. Tudo deve ser realizado com uma convicção eclesiológica já sinalizada por Tertuliano: “Nada sem o bispo; nada sem vosso conselho; nada sem a vontade decidida de ser e de sentirmos, todos, a única Igreja”.

b) É um processo pastoral e orgânico, um evento muito especial para o qual o bispo chama à participação todos os estados de vida cristã: sacerdotes, diáconos, religiosos, leigos. Os sacerdotes, é claro, são convocados de um modo todo especial, em razão de sua vinculação sacramental e de estreita colaboração com a ordem episcopal. “De fundamental importância para a nova evangelização é a efetiva colaboração entre as diversas vocações, os diferentes ministérios, os vários apostolados e carismas suscitados pelo Espírito, quer aqueles dos Institutos religiosos tradicionais, quer os que brotaram em tempos mais recentes, graças a novos movimentos e associações laicais” (João Paulo II. Homilia: Assembleia Sinodal dos Bispos para a América, em 12/12/97); fiéis de uma Igreja particular que, em comunhão de vocações e carismas, buscam novos caminhos de evangelização, para a hora presente, desde a conversão pessoal e a renovação de estruturas pastorais”. O Sínodo é, pois, um caminho de conversão pessoal, de comunhão eclesial e de projeção pastoral a ser percorrido em conjunto.

c) Um Sínodo é muito mais do que uma expressão democrática ou participativa na Igreja: é uma reunião de irmãos no Espírito.

Por isso, não devem triunfar nem a pressa, nem as pressões, nem as tensões, nem posturas pessoais ou partidarismos de grupos. Temos a certeza de que a realidade diocesana e pastoral não apenas se deve contemplar com os olhos da carne (humanos), mas com os olhos do Espírito (os olhos profundos da fé), deixandose para trás qualquer ponto de vista, pensamento ou sentimento que sejam simplesmente humanos. Situamo-nos na perspectiva oferecida pela docilidade ao Espírito e pela obediência da fé. Bento XVI nos diz que a “libertação fundamental que a Igreja pode nos dar é permanecer no horizonte do eterno”.

d) Sínodo é a experiência de uma Igreja sempre a caminho, como mistério de comunhão para a missão. A comunhão se entende em duas dimensões: da humanidade com Deus e dos homens entre si. E a Missão, hoje, recebe o nome de evangelização: “com novo ardor, novos métodos e novas expressões”. Independentemente das conclusões a que cheguemos, o simples fato de nos colocarmos a caminho e de caminharmos juntos, na escuta do Senhor e abertos ao seu Espírito, reconhecendo-nos uns aos outros como membros do Povo de Deus, cada um com seus carismas, em diálogo respeitoso e afetuoso, estudando e discernindo as mesmas questões, será um belo sinal do que é a nossa Igreja. Este será um fruto maduro da nossa comunhão eclesial.

O Sínodo serve para mostrar a todos que a Igreja viva é aquela que realiza sua missão no mundo, revelando o rosto de Jesus Cristo no mundo de hoje e chamando os homens para viverem em Cristo, Caminho, Verdade e Vida.

e) No Sínodo, nossas comunidades falarão, rezarão, celebrarão e se comprometerão. O Sínodo deverá ser o coração e o motor de toda a vida arquidiocesana. Em alguns casos, fortalecendo e confirmando o que já se vinha fazendo; em outros, orientando e abrindo novos caminhos e horizontes. Será também uma preciosa oportunidade de incorporar ao dinamismo eclesial muitos membros da Igreja, sem dúvida gente de valor, mas que, talvez, na hora de se comprometer, ficam um tanto passivos. Pode ser, também, inclusive, uma oportunidade para aproximar da Igreja tantas pessoas que estão afastadas, mas que se sentem inquietas e que aceitariam iniciar um processo de busca e de reflexão.

f) No processo sinodal são importantes e, até mesmo, indispensáveis alguns elementos, tais como a informação, o estudo, a oração, a conversão, o diálogo, o respeito mútuo, o amor, a disponibilidade para acolher os desejos do Senhor. Tudo isso contribuirá, por si mesmo, para garantir a vida cristã e a comunhão eclesial, e torná-las mais sólidas. Sobretudo, irmãos padres, peço-lhes oração, reflexão e conselho.