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07/12/2017

Imaculada Conceição de Maria

“Meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador!” (Lc 1,47)

Imaculada Conceição de Maria - Vida Cristã - Arquidiocese de Goiânia

Em Maria está a mais perfeita atuação do poder salvador de Cristo, ela assim o nomeia: “meu Salvador”. De fato, ela foi a primeira criatura a ser tomada plenamente pela obra da salvação que Deus, em seu desígnio de bondade, estabeleceu ante o pecado humano.

Do mesmo desígnio divino de que brota a Encarnação do Filho, brota também a eleição de Maria como Mãe do Verbo encarnado. Ela está, desde então, associada ao mistério da salvação, não como mera participante, mas como ativa colaboradora.

É em virtude da vocação à maternidade divina que Maria foi revestida de toda sorte de graça, inclusive a graça por excelência que denominamos “graça santificante” ou, simplesmente, graça salvífica.

Ao proclamar a Imaculada Conceição de Maria, nós, cristãos, não estamos afirmando que a Virgem, por não ter pecado, não necessite da graça de Cristo, mas, ao contrário, afirmamos que o próprio Deus, ao criá-la “cheia de graça”, também a redimiu de modo perfeito, antecipando sobre ela o efeito da redenção, “pois para Deus nada é impossível”.

Assim, a Igreja professa solenemente aquilo que desde sempre foi matéria de fé e de culto litúrgico entre os cristãos: “Que a beatíssima Virgem Maria foi preservada imune de toda mancha da culpa original no primeiro instante de sua concepção por singular graça e privilégio de Deus Onipotente, em atenção aos méritos de Cristo Jesus Salvador do gênero humano” (Bulla Ineffabilis Deus).

A concepção imaculada da Virgem Maria explicita o poder e a misericórdia de Deus. Professar a fé na Imaculada Conceição é dar a Deus uma glória que só a Ele é devida, pois nesse mistério se manifesta uma obra que só Ele pôde realizar.

Recorramos à Sagrada Escritura, ela nos faz contemplar esse mistério com maior propriedade:

“Porei inimizade entre ti e a Mulher” (Gn 3,15)

O termo inimizade aplicado entre o tentador e a Mulher, de cuja descendência virá o vencedor da serpente, implica uma total, absoluta e radical separação. A Mulher, Maria, nunca esteve sujeita à lei do pecado, ela o tem por inimigo.

“Alegra-te, cheia de graça” (Lc 1,28)

O anjo Gabriel, mensageiro da boa notícia da encarnação, reconhece a santidade perfeita da Virgem Maria. “Cheia de graça” quer dizer plena de uma única coisa: graça. Em Maria não há nada além de graça e a ela nenhuma graça falta; a graça da salvação já a encontrou e, por isso, mesmo antes que seu Filho se oferecesse na cruz pela salvação dos homens, ela pôde cantar: “Meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador”.

Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre” (Lc 1,42)

Com a mesma bendição com que Isabel louva o Senhor, ela o faz a Maria. A exaltação à Virgem procede da excelência do Filho. E como neste Filho não cabe, de nenhuma maneira, a maldição hereditária do pecado original, do mesmo modo acontece com Maria. Ambos estão guardados sob a mesma bênção, livres do poder do pecado. O Filho por ser o Santo dos Santos; a Mãe, em virtude do Filho.

No centro do livro do Apocalipse, no capítulo 12, se cumpre o que foi anunciado em Gênesis 3, quando narra o confronto do dragão, a antiga serpente, com a Mulher e sua descendência. À Mulher o dragão não pôde tocar, ela está longe do seu alcance, nem mesmo o vômito que ele proferiu contra ela a atingiu, ou seja, nada que provenha do mal pode tocá-la. Uma interferência sobrenatural coloca a Mulher em um ‘lugar’ longe do alcance do dragão. Sabemos que este ‘lugar’ é a santidade plena de ‘onde’ satanás foi expulso. Deste lugar de onde se pode contemplar a face de Deus também foram expulsos nossos primeiros pais e todos nós, como herdeiros. Maria está guardada em Deus desde o primeiro instante de sua existência: “O Senhor é contigo!” (Lc 1,28).

“Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo tua palavra!” (Lc 1,38)

Em Maria, atua a obediência plena à vontade de Deus. E essa obediência só é possível pela graça de Cristo que venceu a desobediência de Adão. Está claro que a graça de Cristo atua em Maria por antecipação. Sua obediência revela que ela não está sujeita ao pecado e às suas consequências. Ela foi preservada do pecado para que a glória de Deus fosse plenamente estabelecida em Cristo Jesus.

A obediência de Maria é o primeiro sinal de que a obediência redentora de Cristo é eficaz e alcança o gênero humano: “De modo que, pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores, assim, pela obediência de um só, todos se tornarão justos” (Rm 5,19).

Esta justificação atua em Maria por antecipação, mas também está destinada a todos os que se fazem, em Cristo, obedientes ao Pai. E aqui reside o grande segredo da Imaculada. Um segredo divinamente revelado na Sagrada Escritura. Se alguém quer ser salvo, precisa seguir o “mandamento” de Maria: “Fazei tudo o que Ele vos disser!” (Jo 2,5). Esta é, na Bíblia, a única palavra de Maria dirigida aos homens.

Grande e maravilhoso é o mistério da Imaculada Conceição. Demos graças a Deus por tão grande dom que foi dado a Maria, mas que é aproveitado em favor de toda a humanidade.

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a vós!

Pe. Arthur da Silva Freitas