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11/06/2018

Fake News

Na dúvida, não compartilha

Fake News - Notícias - Arquidiocese de Goiânia

“Para discernir a Verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor” (Papa Francisco, Mdc-2018)

O Papa Francisco trouxe como Mensagem para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado no mês de maio, o tema “A verdade vos tornará livres” (Jo 8,32). Fake news e jornalismo de paz”. No texto, ele questiona: “Que há de falso nas ‘notícias falsas’”? E logo em seguida responde: “a expressão fake news é objeto de discussão e debate. Geralmente diz respeito à desinformação transmitida on-line ou nos mass-media tradicionais. Assim, a referida expressão alude a informações infundadas, baseadas em dados inexistentes ou distorcidos, tendentes a enganar e até manipular o destinatário. A sua divulgação pode visar a objetivos prefixados, influenciar opções políticas e favorecer lucros econômicos”.

A Igreja tem se preocupado com o tema. Embora as notícias falsas sejam um problema que sempre existiu, elas foram potencializadas com a internet, sobretudo com a adesão cada vez maior das pessoas ao uso de perfil nas redes sociais digitais. Mas o que há de tão grave nas fake news a ponto de chamar a atenção da Igreja e levar o papa a escrever uma mensagem que orienta todas as pessoas de boa vontade sobre sua responsabilidade na comunicação da verdade? Para falar sobre o assunto, o Encontro Semanal entrevistou o prof. Antônio Carlos Borges Cunha, coordenador do curso de Jornalismo da PUC Goiás. De acordo com ele, as consequências da difusão de notícias falsas podem ser irreparáveis e isso é o que há de mais grave no compartilhamento desse tipo de conteúdo.

O professor deu dois exemplos de situações em que as notícias falsas podem ser negativas. O primeiro se refere a notícias veiculadas sobre as campanhas de vacinação. “Há conteúdos que confundem as pessoas para aquilo que deveria resguardá-las. Por exemplo: afirmam que algumas vacinas em vez de fazer o bem, trazem o mal, adoecem as pessoas. Chegam até ao absurdo de declarar que algumas vacinas são produzidas para exterminar a população”, explicou.

Prof. Antônio Carlos Borges Cunha

O segundo, trata-se das notícias sobre o processo democrático que pode ser comprometido caso os alicerces de uma pauta pública sejam embasados em notícias falsas. “Para além do período de campanhas eleitorais em que as fake news aparecem com mais força, precisamos também ter cuidado e não achar que os problemas acabam, caso não tenha eleição no país. Isso não é verdade porque o processo democrático vai além da escolha de candidatos políticos e podemos ter consequências graves que levem a um fim que não é aquele que imaginávamos. Mas depois pode ser muito tarde”.

Antônio Carlos se referiu à intervenção militar, bastante pedida nas últimas semanas quando houve a greve dos caminhoneiros em todo o país. “É preocupante ver alguns movimentos pedirem esse tipo de coisa, principalmente quando percebemos que não é só para colocar ordem, mas com viés realmente autoritário que nós já vivemos em nosso país. Se a situação se repete e a sociedade se dá conta de que não é bem aquilo que queria, não há mais nada a ser feito a respeito. A história já aconteceu e foram necessários 21 anos para desfazer. Então as consequências do ponto de vista democrático são muito graves. Já do ponto de vista ético, observamos na Mensagem do Papa Francisco o seu compromisso com a verdade e a comunhão. Nesse sentido as fake news são muito danosas, porque rompem e fraturam laços de comunhão e a identificação de aspectos humanos. As fake news estão muito alicerçadas no preconceito de ordem religiosa, de gênero, de cultura, por isso devemos ter bastante cuidado”.

Alimentação X Reprodução

Criação
Há pessoas ou organizações que, de forma intencional, criam conteúdos falsos para serem compartilhados com a finalidade de atingir o máximo de pessoas possíveis.  O seu objetivo é muito claro e o conteúdo tem verossimilhança com notícias verdadeiras a ponto de confundir.

Propagação
Alguns compartilham informações independentemente de sua natureza. Não se importam com o conteúdo e se apoderam do material intencionalmente criado em sites ou plataformas especializadas nesse fim. Há também aqueles que compartilham somente conteúdos que os agradam. Nesse caso, o critério adotado é o afeto e não a reflexão, a problematização. Há outros ainda que propagam notícias falsas por descuido e despreparo em averiguar se a informação é verídica.

 

Redes Sociais
Para o professor Antônio, as fake news não são geradas pela internet, mas sim capilarizadas pelas redes sociais. Segundo ele, nas redes esse fenômeno ganha dimensão e se propaga porque são diferentes dos meios de comunicação jornalísticos, que têm a figura do editor, tem filtros e mecanismos de checagem, apuração e investigação. Por isso, nas redes sociais, as notícias falsas se disseminam com mais facilidade.

Jornalismo Consciente
A Mensagem do Papa Francisco explica bem o papel do jornalismo consciente, conforme o professor. Ele disse que a promoção da cultura da paz, segundo as palavras do papa, não acontece ao se adocicar ou tirar o rigor da apuração jornalística, mas ao se buscar constantemente a verdade, procurar reduzir o preconceito, tendo como base o bom jornalismo que checa e contribui para que o mal despareça.

Repercussão da Mensagem do Papa

Em julho do próximo ano, a Arquidiocese de Goiânia vai sediar o Mutirão Brasileiro de Comunicação e, em preparação ao evento, está acontecendo no Regional Centro-Oeste da CNBB (Goiás e Distrito Federal), durante todo este ano, os Mutirões Diocesanos de Comunicação, que já foram realizados em Anápolis, Luziânia e Brasília. Em Anápolis e, na Mesa Redonda promovida pela Arquidiocese de Goiânia, durante a Jornada da Cidadania, no dia 25 de maio, o tema fake news também foi discutido. O jornalista e apresentador da TV Anhanguera, Matheus Ribeiro, explicou o conceito de notícias falsas e apresentou dados que dão conta da singularidade desse tipo de conteúdo, como por exemplo, o modo como atingem as pessoas, pelo aspecto emocional, e a velocidade com que se propagam, 70% mais rápidas que as notícias verdadeiras, conforme pesquisa do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusett s). Ainda na Mesa Redonda realizada pela Arquidiocese, o prof. Eduardo Rodrigues, pró-reitor de Comunicação da PUC e diretor da PUC TV, participou da segunda parte da mesa e comentou que as fake news fazem parte do caráter humano e para combatê-las é indispensável formar as pessoas para além da técnica. “Quando formamos os profissionais e as pessoas, temos como frutos bons profissionais e um público mais consciente”, declarou.

Fake News: como identificá-las

Há alguns passos que podem ser seguidos no sentido de identificar como se alimentam e se reproduzem as fake news. O prof. Antônio Carlos elencou alguns critérios que caracterizam as notícias falsas e verdadeiras.

Fonte

Identificar de onde vem o conteúdo, pois jornais e emissoras referenciadas têm, por natureza, a obrigação de dar explicação ao público. Se o conteúdo vem de veículos de expressão, o público tem mecanismos para cobrar.

Título

Não ler apenas o título, pois o conteúdo veiculado pode ter desdobramentos. Compartilhar notícias após ler apenas o título pode implicar o erro de levar adiante uma notícia falsa.

Alarmismo

Geralmente as notícias falsas têm tom alarmista, isto é, buscam causar impacto em quem as recebe.

Erros Gramaticais

As notícias verdadeiras, sobretudo publicadas por veículos de comunicação de prestígio, prezam o vocabulário correto. Portanto, se o conteúdo tem muitos erros gramaticais, a probabilidade de ser falsa é maior.

Data De Publicação

A maioria das notícias falsas não tem data de publicação. Outras ainda, embora tenham conteúdo verdadeiro, são publicadas fora de contexto, muito tempo depois que o fato aconteceu.

Redes Sociais

Se o conteúdo foi publicado em uma rede social e tem alguns dos quesitos já citados: sem data, erros gramaticais, tom alarmista e fonte não confiável, busque uma fonte fora das redes, em sites de veículos de comunicação cuja natureza é a informação. Cuidado também com sites que não têm identificação e cujas matérias não apresentam o nome do autor. Se depois de tudo isso ainda houver dúvidas, o critério final é não compartilhar o conteúdo.

Fúlvio Costa