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10/11/2017

Dom Moacir nos fala sobre o Dia Mundial dos Pobres

Confira entrevista

Dom Moacir nos fala sobre o Dia Mundial dos Pobres - Notícias - Arquidiocese de Goiânia

Nosso bispo auxiliar e coordenador arquidiocesano de pastoral, Dom Moacir Silva Arantes, explicou, em entrevista que publicamos na íntegra, as motivações para a Celebração do Dia Mundial dos Pobres; comentou a temática dessa primeira edição; e o que é ser pobre. Confira!

Por que celebrar o Dia Mundial dos Pobres?

O Papa Francisco, quando nos convocou para celebrar o Dia Mundial dos Pobres, quis chamar a atenção não somente da Igreja, mas de toda a sociedade para a realidade dos nossos irmãos e irmãs que estão diante de nós com as suas necessidades, pessoas que passam carências profundas, tanto carências materiais, em muitos lugares, como também carências afetivas e espirituais. A palavra celebrar significa “tornar célebre, tornar importante”. Então, ao celebrarmos o Dia Mundial dos Pobres, nós queremos tornar importante a reflexão sobre a realidade da pobreza dos nossos irmãos, as suas causas e aquilo que também nos é pedido diante dessa realidade, tanto como auxílio aos bens materiais, para saciar essas necessidades, como também uma presença afetiva, uma presença solidária junto àqueles que passam necessidades.Dom Moacir, bispo auxiliar e coordenador arquidiocesano de pastoral

 

“Não amemos apenas com palavras, mas com obras”. O que isso significa?

“Não amemos apenas com palavras, mas também com obras” retoma a palavra da Carta de Tiago: “Mostra-me a sua fé sem obras que eu te mostro a minha fé pelas obras”. Importante entender que, para nós, cristãos, sobretudo católicos, a fé é também uma expressão de amor; amor e fé são dois lados de uma mesma moeda. Nós cremos porque amamos e amamos na medida do que cremos, e o nosso amor não é uma questão abstrata; o nosso amor é uma realidade concreta. Para nós, amar não é sentimento, amar é o conjunto de atitudes por meio das quais nós cuidamos das pessoas; quem ama cuida. Então, se eu tenho fé, se eu tenho amor a Deus, eu vou cuidar daquilo que é importante para Deus.

A Escritura diz que, para Deus, o mais importante são as pessoas, não os lugares, não as coisas materiais. Então, o cuidado com as pessoas é parte integrante do anúncio do Evangelho. Repare que, quando Jesus anunciava a Boa-Nova, ele anunciava com palavras e com obras. Inclusive se diz que Jesus é aquele que passou pelo mundo fazendo o bem a todas as pessoas. Portanto, amar é fazer o bem e fazer o bem é um conjunto de atitudes. Por isso, as nossas obras têm que ser uma expressão do nosso amor, e o nosso amor é uma expressão da nossa fé.

 

O que é ser pobre?

Nós podemos, à luz do Evangelho, entender que existe a pobreza sociológica e a pobreza material. O pobre é aquele a quem faltam recursos para levar uma vida digna. E Deus nos criou para vivermos com dignidade neste mundo. Por isso que a pobreza material é uma ofensa a Deus, porque Deus criou o mundo com capacidade de sustentar as pessoas e criou as pessoas para cuidarem do mundo e cuidarem umas das outras. Então, se existe uma pobreza é porque alguma coisa está errada: não estamos administrando bem os recursos e não estamos cumprindo a nossa missão de sermos solidários.

Outro elemento que a Escritura fala são os pobres como bens, como dons de Deus também. Em que sentido? A pobreza nos lembra a necessidade dos outros. Por isso, quando a escritura fala “felizes os pobres”, são felizes aqueles que, na sua necessidade, conseguem perceber que dependem de Deus, dependem dos outros e que têm alguém que depende de si. Todos nós somos dependentes uns dos outros. Todos nós devemos olhar para nós mesmos e reconhecer que temos uma pobreza fundamental, porque nenhum ser humano, nem o mais inteligente, nem o mais rico, nem o mais talentoso se basta a si mesmo, todos precisamos do outro. Então, nós podemos ver a pobreza no aspecto material, que rouba a dignidade da pessoa, como uma denúncia, como algo que agride o projeto de Deus. E podemos ver a pobreza como um dom espiritual no sentido de uma pessoa que se coloca diante de Deus e diante do outro com abertura para acolher o que o outro pode lhe oferecer e também se coloca com abertura para oferecer ao outro aquilo que ele precisa.